quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Alegre exposto

É hoje clara a opção que os portugueses têm: eleger Cavaco à primeira volta ou impedir que isso aconteça, votando (obrigatoriamente) em qualquer candidato da esquerda.
Neste caso, Soares disputará uma 2ª volta histórica com o candidato da direita, não só porque a distância para os companheiros é substancial, como o seu talento é reconhecido e verificável no contexto do seu percurso e também porque segurará garantidamente o eleitorado do PS, ferido e a perceber as duas vinganças de que está a ser alvo.
Pergunta: no limite em que no encontramos, o que gostaria mais o eleitor de esquerda? Que Soares não se tivesse lançado nesta aventura ou que Cavaco perdesse surpreendentemente, contra todas as lógicas pré estabelecidas a este combate?
Manuel Alegre, sejamos claros, tem-se demonstrado igual a si mesmo. Conta-me quem o conhece que é profundamente arrogante, que trata quase todos os seus colegas de bancada como inferiores, tal é a redoma intelectual em que se imagina.
Manuel Alegre relega o partido a que sempre pertenceu, de que é dirigente, ao qual se candidatou a Secretário Geral há menos de um ano, procurando agora uma profunda divisão no partido, contra José Sócrates e os actuais dirigentes do PS.
Manuel Alegre é o detentor único da verdade e dos valores. Quando as sondagens o davam à frente, procurava galvanizar as suas hostes. O resultado é o que se vê, ninguém comparece, ninguém se entusiasma, ninguém se atravessa. Quando as sondagens o dão atrás, estão marteladas.
Há um segredo que ainda não foi (nem o será até ao fim desta epopeia) contado: se Soares não tem avançado, estava em curso uma verdadeira crise política no PS, com uma cisão terrível que teria como consequência uma provável implosão da actual estrutura. O PS não seguiria Alegre, como nunca seguirá Gama ou outros lideres de facção limítrofe (por isso o partido consegue um equilíbrio vital para a sua existência).
Pergunta: não será isso uma atitude contra os partidos e os seus funcionamentos? Não será isso pouco democrático, dada a importância vital dos partidos no nosso regime, não obstante os profundos problemas dos seus actuais funcionamentos?
Pergunta: se a ideia tem pegado, como seria de futuro? Um militante candidatava-se a Secretário Geral e se perdesse, se não convencer os seus pares, apresentava outros candidatos (primeiro-ministro, presidente de câmara e etc.), se não concordasse com as escolhas dos órgãos legitimamente eleitos?
(...)
Manuel Alegre vai falhar esta sua candidatura, enganando algumas pessoa que estão de certeza de boa fé, no seu legítimo apoio. Mas o seu futuro político não ficará impoluto. Manuel Alegre pagará bem cara esta vergonhosa situação. E mesmo que o PS não o possa excluir (por motivos éticos e de damage control), o mínimo é que ele próprio o faça.
De uma coisa nunca mais se vai livrar: estragou toda a sua vida política activa. Passou de militante referência a persona non grata.
Passe à prática, Manuel Alegre. Demonstre que é possível a participação política a nível nacional, fora dos partidos.
Ou vai continuar a mamar à conta do PS, como fez até agora?"
Humberto Bernardo - "O Estado Afirmação"

Led (nem mais!)
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