segunda-feira, 26 de novembro de 2007

“...e, de repente,

senti que, para além da identidade em que todos se diferenciavam uns dos outros, uma coisa estava acontecendo, acontecera naqueles dias, na acumulação de coisas que haviam desabado sobre mim: tudo desabava numa desordem sem fronteiras nítidas e passava a ter o valor que cada um lhe desse. Isto porém, era ainda um segredo de cada um.”

Jorge de Sena in "Sinais de Fogo" (1979)

Led

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Lost at sea

Sigur Rós -Sæglópur

Led

Tão pouco de tudo...

Não te queixes. Não os ofendas com a tua diferença. Os outros já tem tanto de quê. Não fales de coisas tristes. Os outros têm já tanto que chegue. Não fales em solidão. Todos os outros estão sós. Todos os outros já o sabem, mas não se lembram, não se querem lembrar. Como quando se ama todos os dias e se esquece o amor por habituação. Fala é da alegria destemida confiante, da força, da conquista, de tudo o que nos instaure em imortalidade. Não fales da guerra, da dor, do medo, da doença, da fadiga. Acaba com a estupidez de falares da estupidez da morte. Estamos fartos da cantilena macabra. Para o raio com o negrume que só começa a existir lá para o anoitecer, que é quando não se vê bem e portanto existe com mais força. Ilusões da tua certeza, as sombras semeiam-na da cegueira da noite. Vê-la lá fora? Para além da vidraça, ergue-se do vale com a sua razão categórica. Trémulo bruxulear da claridade que ainda resiste, na oscilação da incerteza se joga o teu destino, se joga o destino do mundo. Um pedaço de sol e mar ilumina e lava a noite mais sombria até aos confins da sua sombra, sabias? Por isso chega de incertezas por agora. A tua vida inteira... Breve fulge no lume pobre, na tua fadiga. É pois só o que te resta de companhia? E o sorriso em filigrana de estares vivo. Que é que realiza um homem para si? Não o que se conquistou, porque o que se ganhou ou perdeu tem o seu limite na morte, onde a vitória e o desastre se reconhecem irmãos. O que te faz ser o que foste é o nada que foi então e humilde se levanta das margens do teu ver e sentir, das margens de tu seres real. E toda a tua vida, toda a complexidade do que nela amealhaste, sobe de ti, dos anos tão cheios agora de coisa nenhuma, cabe inteira no esquecimento do teu olhar alheado. Pequena alegria de estar, imenso nada a preencher o ter vivido e haver um longo percurso ainda a percorrer, contigo aqui, resumo de tudo, indício breve da tua divindade, centelha final do incêndio que ainda fulge – memória de nada, memória de ti. Por isso vê-se estás...Cerra os olhos profundamente. E esquece tudo... Condensa-te agora numa qualquer imagem bonita que tenhas para aí guardada na algibeira. Deste sol da tarde que se derrama pelo escritório, embate na estante de livros, se instala nas tuas mãos. Do raio diáfano que atravessa o horizonte imensurável. De uma memória pacata. Da tepidez dos mares de Outono. Da minúcia doce de um fragmento da sua pele que se arrepia. De um céu infinito que se descobre. Ou de uma qualquer memória de vagas do mar. Tudo isso, apenas isso. Tão pouco. Tão pouco... Foi o nada que te sobrou da tua vida inteira. Por isso abre ao deslumbramento do mistério, da verdade oculta das coisas. Fica à margem e olha. Assiste ao insondável estúpido e sê estúpido com ele, sem uma palavra que o diga. Vives rodeado do mistério e jamais o dominarás. E isso não passa pelas palavras. Por isso vive-o. Respira-o. Como é que isso podia passar pelo exíguo obtuso circunscrito do dizer? Como é que o mistério pode estar num vocábulo? Porque dar um nome seria delimitar, tornar redutível, tentar pôr nas nossas mãos o que nos foge. E tudo é tão efémero e superficial hoje em dia...minha querida...devia talvez haver palavras. É tão necessário... Uma frase luminosa. O pontuado cintilante de estrelas no véu negro do céu. O sol vivo que arrasta consigo o rumor fresco do mar. O bálsamo do vento numa seara. O latir longínquo de um cão na extensão celeste da noite. O crepitar das folhas no parque ao teu passar. Uma toada acústica fresca . O...
Led

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Memória de sol

De uma das varandas em frente o meu prédio trepam plantas que já chegam ao terceiro andar. Bate-lhes o sol-poente, que reluz entre a folhagem tremente. E uma evocação campestre estremece no seu entreluzir. É uma memória tranquila das tardes longas, desafrontadas do calor suave, quando se respira fundo e em silêncio e se espera devagar que a noite vá começar. Tempo suspenso. Tempo de levantamento. Qualquer coisa que se nos erguia, nos embalava, nos expandia, nos fazia respirar o universo a haustos fundos. Tardes de luz, do rumor de águas nos ribeiros da lameira do Côa, de aromas que passam no vento vindos das profundezas da Malcata ao iniciar do Outono e dos rumores familiares das festas dos Santos. Tardes de sossego, de reconciliação com a vida, de olhos semicerrados à divagação erradia, tardes de pacificação, de benção que nos descia não sei donde e nos entrava na alma e aí alastrava como a sagração de uma vida...quantas esperanças e sonhos e vidas não ficaram aí...para sempre incessantes até à infinidade dos séculos.

Led

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

10th

Para os jornalistas que se queixam todos os dias de limitação na liberdade de expressão, vejam lá em que posição está o nosso país (de 169) na classificação dos Repórteres sem Fronteiras:


Esclarecedor?
Led

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um analista da bola

Com o Rui Santos acabou-se a comoção digna de primatas no futebol. Agora as análises futebolísticas são antes de mais ensaios filosóficos, comportamentais ou sociológicos. Agora a coisa é toda ela cerebral, com muito aprumo fleumático e óculos progressistas à mistura.
Suporta-se esse tom, quando há no futebol motivo para isso. Mas como raramente o analista “profissional” fala de futebol internacional e corrói 80% do tempo de antena a divagar sobre o temperamento dos árbitros portugueses, conclui-se que raramente há motivo para falar sobre o que quer que seja. Simplesmente, ele julga que não, ele pensa que por falar à Einstein em voz grossa, Einstein o ouve logo. É verdade que esta aptidão analista já havia sido anteriormente desenvolvida na TVI pelo também “intregríssimo” e esquemático Jorge Coroado. Mas Rui Santos é jovem e promissor. E aqueles óculos dão-lhe outra pinta...Mas no fundo, o que a gente desdenhosa e mal-informada (e saloia como eu) desconfia é que a pose sobranceira só serve para esconder o adepto queixinhas e complexado que no fundo o move. Só pode!

Vou ser incinerado depois deste post...


Para amaciar a questão gostaria realçar que, apesar de tudo, gosto da escolha de gravatas do rapaz. O futebol nacional já merecia gente séria e com nível, sobretudo na escolha do fato e gravata.

Led

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Este post não é original

Será preciso repeti-lo até à exaustão?
Toda a banda/artista que é original é diferente. Mas nem toda a banda/artista que é diferente é original. É fácil destoar pela diferença mas é muito mais difícil entoar pela originalidade. A originalidade vem de dentro para fora. A diferença é ao contrário. A diferença vê-se, a originalidade sente-se. A diferença gasta-se como a sola de uns sapatos, a originalidade perdura no imperscrutável. Assim uma é fácil e a outra é difícil. A diferença é uma fórmula, a originalidade é um modo de se ser e de se sentir. A diferença avalia-se com cautela e exibe-se no fim como uma medalha ao pescoço. A originalidade é inestimável e transmite-se pela emoção. Para se ser diferente vai-se ao barbeiro ou ao shopping das manias ou apregoa-se inconveniências anti-estatutárias. Para se ser original vai-se ter com o divino augusto e espera-se que nos toque. É fácil fazer música só com um ou dois acordes, ou atirar com as palavras à melodia e dispô-las como caírem, fazer serrado na guitarra, copiar trechos electrónicos de sons sem sentido e dispô-los anarquicamente na canção enganando uma falsa erudição, ou cortar o refrão aos bocados e dispô-los em vários tamanhos ou então omitir mesmo o refrão, ou fazer qualquer número de cambalhotas como um equilibrista. Haverá sempre um enciclopedista musical na esquina que aplauda a diferença com arrebatamento e distinção. Haverá sempre quem enalteça a mediocridade por cisma carneirista, ainda que o rei caminhe nu. Agora o que é difícil é sentir de um modo novo, recriar um mundo por sobre o que já foi recriado, ver o que os deslumbrados constitucionais não enxergam. Pôr seja o que for de pernas para o ar não deixa de ser o mesmo por estar invertido. Mas o artista original torna acessível um dos possíveis mistérios para uma nova acessibilidade. E essa nova acessibilidade é que é diferente na maneira profunda de a sentirmos. A originalidade é centrífuga. E só pode ser apreciada intimamente, sem o ruído de fundo da esperteza saloia. Vão-te apontar o dedo ou desprezar-te, provavelmente. Mas por isso é que é difícil ser-se original. A originalidade existe através de nós, a diferença é para os outros.
Led

Nevoeiro nórdico

Logh - The Contractor and the Assassin

Boa noite!

Led

sábado, 20 de outubro de 2007

Grau Zero da música - Sofrer com estilo

30 Seconds to Mars, My Chemical Romance, Green Day, Funeral for a friend, Linkin Park, Hoobastank…

Emo, Punk Revival, Grunge revival, Post-Hardcore, Punk Pop…

A prova que Deus escreve torto por linhas tortas...


...e eu estou a ficar velho.

Led

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Unidade Sindical

Nunca morri de amores pelas manifestações dos principais sindicatos da função pública, reconheço. Sempre me irritou o clima provocatório e histérico desses ajuntamentos de “massas” e o impulso primário à manada. Porque sempre achei que entre isso e nós deveria haver uma distância razoável de reflexão e responsabilidade cívica, de alguma frieza mental. Mas a proliferação de manifestações deste género tem resultado numa banalização desta forma de intervenção que não deixa de ser perigosa, tal como no conto do Pastor e do Lobo. A disseminação de manifestações irresponsáveis com propósitos políticos de achincalhamento à falta de mais argumentos e a constante manipulação e apropriação dos instintos mais básicos e das frustrações mais profundas das pessoas menos informadas, reivindicando todos e quaisquer direitos e privilégios, assenta numa desfaçatez atroz. Ao menos que assumissem de vez que todas estas demonstrações simultâneas acusando o governo de asfixiamento democrático não são apenas fruto de uma casual coincidência de pretensões mas fruto de uma estratégia política bem delineada. Dos velhos esquemas e estratagemas de sempre. O que me ofende sobretudo é imbecilidade displicente, o desprezo e prepotência contra a nossa inteligência e capacidade de observação. Tudo o que importa aos líderes destes grupos (sempre os mesmos) é direccionarem politicamente os factos, retorcendo-os até ao absurdo e fazerem de nós estúpidos com eles. Quanto aos militantes, o seu problema não é o cinismo, mas o fenómeno que Sartre identificou como má-fé, isto é, um acreditar religioso e transcendente daquilo que não é facticamente. E depois existem os remanescentes desta linguagem que mostra como certos sectores da sociedade portuguesa continuam rendidos a trivialidades de salão e de salinha, não ganhou consciência crítica e continua a engolir tudo quanto lhe põem à frente mesmo depois do naufrágio comunista. Como o tipificado desabafo dos manifestantes de que o 25 de Abril não se chegou a materializar, como ouvi há pouco o Tim dos Xutos a propósito da morte de Adriano Correira de Oliveira. Nunca percebi bem onde que se quer chegar com este comentário, senão como mero devaneio lírico. Se o conceito dele de liberdade e democracia vem da utopia excepcional da condição de artista é desculpável. Se o conceito dele de “fazer Abril” está associado às ambições de um grupo político que se queria servir do País, que o ia lançando numa guerra civil, que promoveu nacionalizações vergonhosas, ocupações selvagens, que destruiu empresas, fez saneamentos persecutórios, ocupou jornais e rádios, tentou proibir a liberdade de imprensa e queria mandar os «fascistas» para o Campo Pequeno , então temos de facto um conceito altamente diferente de “liberdade”. Porque esta invocação de liberdade sempre reivindicada pelos grupos ligados ao PC é curiosamente coincidente com a do fascismo, atacar a liberdade pela defesa da liberdade. Por isso irrita-me o grau condescendência e o tabu ao criticismo a estes grupos políticos, de algum modo semelhante a uma certa invulnerabilidade religiosa, e que, trinta e três anos depois, continua a ser considerado como crime de lesa-pátria e uma despudorada declaração de «fascismo», sempre usando e abusando dos heróis (cada um tem os seus) de Abril como arrazoamento sagrado. E isto tudo para dizer, que sem deuses e demónios não há mesmo equilíbrio para o homem. Finda a religião ficámos esbarrados no dualismo “governo reaccionário capitalista e cobiçoso” e o “sindicalista trabalhador eternamente injustiçado” para nos aguentarmos de pé. Por onde se poderá abrir caminho? De tal modo que, ..chega. Vou jantar.
Led

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Song To the Siren

Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Tim Buckley

Led

sábado, 6 de outubro de 2007

Moving my hands upon the clock

Um novo dia. Sol. Energia .Optimismo. E o maravilhoso sermão no tema The Clock.

Led

Destroços

Estamos mesmo no grau zero da civilização. Será que não há nada mais visível para além de nós próprios? Tudo é certo explicável mensurável plausível banalizável experimentável consumível. É o vazio irrespirável e nele temos de respirar. É o ruído lancinante e nele temos de nos escutar. Nenhuma causa se pode hoje inventar para se morrer por ela. Todos os mitos se dissiparam e nada em nós hoje pode segregar um novo. Tudo se nos intromete na alma para relacionamento com o exterior e nada mais. A obscenidade moral em directo na tv 24 horas por dia. Moral, família, crença, política, ideais de qualquer espécie – tudo alegremente para o caixote. Todas as diferenças planificadas a rasoiro, tudo se é em colectivo aperfeiçoado asséptico consolidado até aos limites como as unidades fabris. Desconstruir, desmistificar, dissolver, negar, animalizar. São as palavras actuais de tudo na vida. Nada vale nada porque tudo vale tudo. Desta degradação geral dos valores não surpreende portanto o apelo paralelo e inútil da metafísica das crendices. Ou os suicídios colectivos de certas seitas e fundamentalistas muçulmanos. Porque é o preço da utopia que garante o seu valor. Tudo hoje se cumpre portanto na agressão ideológica, mas a ideologia já não diz nada e só ficou apenas a agressão como ímpeto. Como criar novos valores no meio deste vendaval pragmático e excessivo de informação que tudo devassou? Como ignorar ainda a inquietante sensação de deriva geral? Porque nos limitamos a entreter com as questões da política, do amor, do ciúme, da traição, das minhoquices e merdilhices de questiúnculas de atrasados mentais? Como sair dos espectro de paralisia geral? Como omitir que é belo o sol e estúpido o vento e estamos para sempre sós e gratuitamente vivos e não somos eternos? Como nos pensar para daqui a um milhão de anos quando já estivermos extintos?
Noite densa. Silêncio na terra. Esquecer e adormecer. Amanhã é um novo dia....
Tanto me faz.
Led

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Lição nº 1

Se te resta alguma dignidade meu caro, não te queixes na praça pública para teres um foco de atenção mascarado de anseio de fraternidade alheio. Detém-te um pouco para te veres. Escolhe bem quem queres para teu travesseiro. Não desbarates a reserva. Poupa as palavras, guarda as melhores para o fim como o derradeiro naco num prato. É verdade que o estatuto social proíbe-nos de confessar as fraquezas mais íntimas. Mas a internet é o pior local para se ser em intimidade débil. Porque na verdade os que te ouvem ou te não dizem nada, comprimidos de júbilo, ou mostram piedade por ti, que é a forma de te afastarem para o teu lugar inferior e terem a satisfação de eles não estarem aí. O seu sorriso comisero é apenas o sorriso canino ou o sorriso cínico, que é o jeito natural que lhes fica de carregarem uma navalha nos dentes.
Led

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Sim, sim! Já sei! In Rainbows!



Pois é meus caros! Apenas regresso a este triste espaço para anunciar o impreterível. Por fim os Radiohead lá acabaram por anunciar o lançamento do seu novo álbum no site da banda “Dead Air Space”. O álbum chama-se “In Rainbows” e sairá dentro de 10 dias. Sem grandes surpresas, a lista de temas incluirá a maioria dos temas previstos pelos fãs durante o último ano.

O anúncio que já levou à histeria colectiva de muitos fãs com sites oficiais temporariamente bloqueados foi feito pelo Jonny Greenwood no Radiohead.com, pouco tempo após a meia-noite do dia de hoje. O sétimo álbum da banda (que já se augura como o derradeiro por certas facções de fãs mais pessimistas e carentes de uma vida recheada de sociabilização e ar puro...como isto me soou duro!) estará então disponível para download no site http://www.inrainbows.com/ a partir do dia 10 de Outubro.


Surpreendentemente, não existe um preço definido para cada download o que significará que cada cliente pagará o que achar acertado! Pára tudo!! Estaremos à beira de uma nova era e de uma nova relação artista despretensioso/cliente criterioso e bem intencionado? Claro que não. A fórmula rebelde só resulta para quem já encheu bem os bolsos. Mas voltemos... A versão física (edição de autor) – Discbox ( ou caixadisco!...) – contém o novo álbum em CD, um disco duplo em vinil e um CD multimedia com sete faixas adicionais, fotos, arte e letras. However e desta feita, a abundante caixa terá um preço definido e à medida da sua qualidade...40 libras (perto de 58 euros!) e só deverá sair perto do dia 3 de Dezembro.

Ambas as versões estão já disponíveis para pre-encomenda.

CD1 (download digital e caixa):
1. 15 step
2. Bodysnatchers
3. Nude
4. Weird fishes/Arpeggi
5. All I need
6. Faust Arp
7. Reckoner
8. House of cards
9. Jigsaw falling into place
10. Videotape

CD2 bónus (apenas na caixa):
11. MK 1
12. Down is the new up
13. Go slowly
14. MK 2
15. Last flowers
16. Up on the ladder
17. Bangers and mash
18. 4 minute warning

E é tudo!
Não sou tão bom a dar notícias?
Sem monomanias e melancolias baratas.
Irrepreensível!
Até breve.

Led

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Por falar em Ian Curtis...

...falta menos de um mês para sair o filme baseado na biografia ("Touching From a Distance") escrita pela viúva do trágico vocalista. Ganhou o prémio de melhor filme europeu no último Festival de Cinema de Cannes e tem uma excelente banda sonora criteriosamente seleccionada pelos restantes membros da banda, tendo uma dose ponderada de Joy Division e New Order mas ainda Sex Pistols, David Bowie, Iggy Pop, Buzzcocks, Roxy Music, The Velvet Underground e...pasme-se, The Killers? Come on! Não me interpretem mal, eu gosto dos The Killers mas será que não encontraram ninguém mais adequado para interpretar a canção "Shadowplay"? Enfim...vou esperar para ver e ouvir antes de fazer o juízo final.

Led

domingo, 2 de setembro de 2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Do exílio

Fui à varanda da sala fumar o cigarro para a minha regularidade mental. E vi o sol tremulado no horizonte em frente. E houve um estremecer de alegria em mim nesse frémito de luz. E vim aqui dizê-lo sem sabê-lo dizer. Agora que já passou a alegria e regresso ao afundamento de mim.

Led

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Uma guitarra imensa, abrindo num acorde pelo céu

Explosions in The Sky - Welcome, Ghosts

Led

Manual de sobrevivência

Trabalhar em Agosto pode ser de uma crueldade bruta para quem foi embebido desde cachopo do inviolável relógio anímico nacional. Tempo de esvaziamento, tempo de liquidação do autómato que nos vai oprimindo durante todo o ano. Compasso de espera, de evocação , de renascimento. Por isso desafiar este mês com obrigações pode ser de um sofrimento atroz digno de uma epopeia, sobretudo quando se tem metas a cumprir com celeridade. Pior ainda quando se vive numa cidade que tem a sua programação sintonizada com a debandada geral da vida académica. E o homem é um ser gregário por natureza, dizem os psicólogos. E a preguiça é a mãe de todos os vícios, diz o povo. Contagiante e perversora. E este é ainda o sagrado mês da “silly season” nacional, dizem os jornalistas. Como é que em face destes factos inverosímeis se arranja ainda um espaço mental harmonioso para trabalhar como no resto do ano? Mas nem tudo é um calvário. Por contraposição cria-se uma sensação de apaziguamento geral. As estradas e as ruas estão desimpedidas do rebuliço de carros e pessoas que durante o ano nos deixa por vezes à porta da insânia. O tempo até vai ajudando um pouco com os seus extemporâneos achaques de frescura que nos fazem esquecer a indolência generalizada . E depois é apreciar os doces momentos que por vezes a solidão nos traz. A calmaria em certas alturas. Não apenas a que se define por ausência de movimento mas a outra, a que sobe além dessa e chega até a beatitude. Porque só aí se nos abrem os olhos para a beleza melancólica e a maravilha do mistério de tudo. E só aí se escuta a voz inaudível, a que espera que todo o ruído cesse e cesse mesmo o silêncio que se lhe segue. Neste mês torna-se ainda mais visível o enigma irreal e extático em que Coimbra se suspende. Haverá melhor altura do ano para olhar o rio e sua placidez bucólica debaixo de um imenso véu alaranjado de fim de tarde? E por vezes. Em certos momentos de não sei quê de assombroso. Prestar atenção à música longínqua que se evola do cimo dos vales, do absoluto da imaginação, do fundo da memória. Tudo tão pouco. Tudo tão de tudo. Agosto na cidade pode trazer consigo a voz de um começo, de um abrir para as origens, lugar incerto do nosso destino, da nossa vocação. A cidade torna-se íntima companheira e traz consigo uma transcendente disponibilidade materna. Fora da comunidade, somos nós que a inventamos e nos descobrimos. Até ao afundamento de nós. É escasso para os práticos e inquietos ( e até mesmo para os diletantes do silêncio, como eu), mas o manual de sobrevivência para este mês na cidade nunca foi sinónimo de facilidades. Resta-nos aproveitar o vago de encantamento que por vezes se nos cria. E olhar a génese de tudo. Pela primeira e última vez.
Led

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Fresco e vitaminado, como a época pede

O que se vai explorando por estes lados...Os comentários ao álbum “Na Mouche” pelo especialista de serviço que mora aqui ao lado.
Led

Gástrico

O programa “O Dia Seguinte” é uma verdadeira montra sociológica para o fenómenos de clubite aguda, do qual os constantes refluxos azedos e birras mudas do Dias Ferreira constituem os melhores exemplos do verdadeiro objectivo do programa : cómico futebolístico, lá está! E pouco mais tenho a dizer para não prevaricar mais no pecado do futebolês.
Led

domingo, 12 de agosto de 2007

Há 100 anos atrás nascia o criador de bichos, mundos e montanhas

Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatisfação.
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.
"Letreiro" em Orfeu Rebelde (1958)

"Todos nós criamos o mundo à nossa medida. O mundo longo dos longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples dos simples e o complexo dos complicados. Criamo-lo na consciência, dando a cada acidente, facto ou comportamento a significação intelectual ou afectiva que a nossa mente ou a nossa sensibilidade consentem. E o certo é que há tantos mundos como criaturas. Luminosos uns, brumosos outros, todos singulares. O meu tinha de ser como é, uma torrente de emoções, volições, paixões e intelecções a correr desde a infância à velhice no chão duro de uma realidade proteica, convulsionada por guerras, catástrofes, tiranias, e abominações, e também rica de mil potencialidades, que ficará na História como paradigma do mais infausto e nefasto que a humanidade conheceu, a par do mais promissor. Mundo de contrastes, lírico e atormentado, de ascensões e quedas, onde a esperança, apesar de sucessivamente desiludida, deu sempre um ar da sua graça, e que não trocaria por nenhum outro, se tivesse de escolher."
Coimbra, Julho de 1984

Prefácio do autor à tradução francesa da obra "A Criação do Mundo", Vol I (1931)

Led

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Waiting and groaning

Silverchair - Waiting All Day (live Sydney 2007)

Led

Grandeza de espírito

“Despreza tudo, mas de modo que o desprezar te não incomode. Não te julgues superior ao desprezares. A arte do desprezo nobre está nisso.”

em "O Livro do Desassossego" - Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.
Ser um moralista por falta de coragem. Ter o horizonte curto por precaução. Andar à procura da primeira ideia que lhe sirva como um farrapo pelos caixotes do lixo. Uma forma de um medíocre convencido a imitar a grandeza de espírito é não criticar nada nem ninguém e regressar carimbado na fronte como algo a imitar pelos inferiores de espírito que lhe advenham. Qualquer um o impressiona logo que entre no seu código. Mas não te julgues superior ou inferior, julga-te só quem és se algum dia o chegares a saber. Defende essa ideia com unhas e dentes e depois é aguentar a arrochada. Então serás feliz na única dimensão da felicidade que é a de te saberes e ficares sereno com o que escolheste. Porque o inferior e o superior não são tua propriedade mas dos outros, ou seja, da relação de humilhação que estabeleceste perante eles. Mas não te humilhes. Sê homem.
Led

terça-feira, 31 de julho de 2007

Vergonhoso


Sinonimo: Pedir por esmola, solicitar, suplicar... Infinitivo impessoal, mendigar, Gerúndio, mendigando, Particípio, mendigado ... Infinitivo pessoal, mendigar, mendigares, mendigar, mendigarmos, mendigardes ...


Led

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Pausa

Saturado de lutares, cansado de te procurares no que em ti é de mecânico e em exterioridade sociável. Mas agora esquece o que te é em obediência proletária. Escreve em abandono e desapego, qualquer merdice plausível e aceitável. Mas escreve. É a pressão enorme de criar, sem razão de haver barro para a criação... Quantos te ouvem? Para quantos és audível? Não o és para quase ninguém. E que isso interessa? Aquieta-te no sem-fim do lembrar. Sossega no teu nada tranquilo, não voltes mais. O silêncio é o teu lugar. Fala nele para ti, desfaz-te no teu linguarejar interminável e estéril. E cumprirás o teu destino de Homem como a loucura cumpre sempre o seu numa sala vazia.
Led

domingo, 15 de julho de 2007

Deve ser do tempo

12 candidatos , 6 propostas efectivas de governação, semanas e semanas de algazarra e lamaçal político nos telejornais e uma abstenção final de 62,6%. Que agradável ver daqui da província a democracia participativa a funcionar em todo o seu esplendor na cidade mais informada do país.
E agora chega de farófia de político que já não posso mais.
Led

Não percebo

Se é uma derrota política, partidária, pessoal e assumida com coerência de princípios pelo Marques Mendes porque razão é que ele é novamente candidato para o congresso do partido?
Led

Futuro "Negrão" para PSD

O Marques Mendes vai pôr a liderança em jogo no seu partido. O Menezes até deve espumar de excitação...

Led