quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Good times, Sour Times

Não fui à primeira edição do sudoeste (1997) nem à segunda. Fui às 4 seguintes. Mas dizem os veteranos que a segunda foi a melhor de sempre. Parte pelo espírito inovador de um certame (adoro esta palavra) único na área, parte por culpa de um cartaz verdadeiramente delicioso para os melómanos alternativos da altura quando a palavra indie ainda era um charada radiofónica. The Cure, PJ Harvey, Placebo, Sonic Youth, Ash, etc traziam pela segunda vez as maravilhas sonhadas à realidade de uma campina alentejana esquecida debaixo de uma imensa estratosfera estrelada, como só ali é possível. Perdeu-se muito desse espírito desde então, ganhou-se em comodidade. O festival afrouxou na música como sua principal finalidade. Investiu em tudo o que não devia interessar. O Paredes de Coura veio substituí-lo e mais tarde o Super Bock. Mas enfim, isso são contas de outro rosário. De qualquer maneira, segundo os mesmo especialistas calejados, houve um concerto que marcou definitivamente essa edição mítica de 98, um concerto que fechou em chave de ouro o fim-de-semana deixando no espírito dos festivaleiros o característico trago de arrebatamento colectivo. Geoff Barrow e Beth Gibbons traziam-lhes o enlevo vaporoso e catártico de temas como “Numb”, “Mysterons” “Glory Box “,“All Is Mine” e fechavam com a inconfundível “Sour Times”. “O melhor concerto de sempre do Sudoeste!”, dizem os entendidos. Não fui, mas arranjaram-me no mês seguinte uma bootleg do concerto. As guitarradas atmosféricas e psicadélicas de Adrian Utley deixaram-me boquiaberto. Jurei jamais deixar escapar a hipótese de os rever. Passaram-se 10 anos e mantenho a promessa.

Led ("certame " é uma palavra lindíssima)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Trova fácil do vento que passa

... monitores, desfibrilhadores automáticos, oximetrias de pulso, electrocardiógrafos, imagiologia com angiografia digital e RMN, equipamento para imobilização e transporte do traumatizados, condições e material para pequena cirurgia, laboratório de análises rápidas, radiologia simples, ecografia simples, TAC e patologia química/química seca, médicos especialistas, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, auxiliares de acção médica, administrativos, etc, etc, etc...Gostaria de saber se o Manuel Alegre acha que para pagar isto tudo por cada serviço de urgências a cada esquina basta o estado servir-se dos mais maravilhosos desígnios quiméricos. Também gostaria de saber se a defesa da rentabilização e centralização de recursos humanos e equipamentos médicos num número menor de serviços de urgência é apenas uma declaração de retórica e demagogia ou se realmente entende as repercussões dessa política inevitável no mundo real do século 21. Mas que esperar senão a estratégia rancorosa e oportunista de sempre? O cavalgar bonacheirão na onda da contestação popular quando o governo ou um ministro se torna impopular. Podia pelo menos informar-se melhor antes de ir para uma entrevista, já tinha com que defender o ministro que diz estimar (nem a brincar...) mas que queria ver na rua. Mas o conhecimento é claramente selectivo.
Como eu desejava que tudo fosse apenas um capítulo de um épico quixotesco. Já virava a página.
Led

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Light up the stage

Boa tarde!

Team Sleep - Ever (Foreign Flag)

Led

Do mar

Tenho saudades do mar. Lembro-me do sol num qualquer dia de céu límpido, a sublimação da terra na hora estática do meio-dia, a extensão marinha ao meu apelo de infinitude. Lembro-me do frescor das águas aquietando-me o mal-estar, revertendo-me a uma idade de pureza, de convicções e de força e plenitude. Tenho saudades do mar. Mesmo à tarde, quando as águas repousam e uma aragem resfriada vem das suas profundezas. Tenho saudades. Mas o que me resta para elas é apenas a irrealidade da distância a que as relembro, numa memória que eu despojo até à inteira disponibilidade.


Led

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A leira...


...dos saudáveis. Começa logo pela adolescência. É um ajuntamento fundamentalista como a dos grupos de jovens cristãos, dos femininistas, das testemunhas de Jeová, dos positivistas ecológicos da Oprah, dos comunistas e bloquistas e assim. Não beber, não fumar, evitar a carne, o café, os doces e sobretudo as gorduras saturadas, lavar as mãos 30 vezes ao dia, dar preferência aos vegetais e às frutas, comer pouco e várias vezes ao dia mesmo sem apetite, beber muita água (ou não, segundo os novos rigorosos cálculos científicos), deitar cedo e cedo erguer, fazer exercício, evitar o sedentarismo, vigiar o peso, a glicémia, a tensão arterial... São vegetarianos, ou macrobióticos, ou não comem carne ou não bebem refrigerantes ou cerveja. Todos os alimentos são canonizados ao grau de medicamentos e sabem de cor toda a nomenclatura nutricionista calórica, e vitamínica. Prostram-se submissos à mais pequena divindade anti-oxidante. Estão por isso atentos aos mais recentes desenvolvimentos da indústria médico-cosmética nas revistas disponíveis ao grande público e especializadas para cada sexo e para cada idade. Anestesiam a mais pequena ameaça de incómodo físico. Não se enervam, não levantam a voz, não discutem. Gostam de conversas calmas, de sentimentos controlados, de comida sem cheiro... São filhos da nova geração do dogma da ciência e do corpo. Gente insípida, espalmada e incontestável...impossível descuidarem na sua cruzada messiânica pelo mundo com boas intenções e desígnios de vida... Acreditam na possibilidade de um mundo perfeito, sempre a verdade mais perigosa para a existência humana. É verdade que eles estão certos e viverão mais 5-10 anos do que os outros, monte depressivo e abjecto de vícios, pecados, defeitos e excessos. São felizes na sua maneira controlada e inexcedível. Sim. Sim. Sim. Mil vezes sim. Ou talvez não. Depende do que recomenda o “Haja Saúde”! Mas para é que querem a vida, se não é para a usarem? Lembram os que compram livros mas guardam-nos na estante para não sujarem as folhas. O seu objectivo na vida não é viverem-na mas cifrar a felicidade ao simples facto de a conterem. São exemplares à vista – magros, direitos, correctos, musculados, impolutos. Glória ao culto do corpo! Mas não tiram proveito disso, excepto o de serem saudáveis à custa de muito calvário. Ou seja, de poderem gozar a vida na sua maior extensão, que apenas é poder. A leira dos saudáveis. Vejo-os com frequência eufóricos e exuberantes pela TV. Mas baixo-lhes o volume e ficam logo mais achacados.


E agora vou dormir, queria evitar as olheiras.


Led

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O 16º vinil

A tradição da chegada daquela prenda especial na minha segunda semana de Janeiro voltou a repetir-se ontem pela 10 vez consecutiva. A mesma alegria de sempre! Funcionasse tudo como o Ten Club e o mundo seria bem melhor!



Pearl Jam - Santa God (Ten Club Christmas Single 2007)

Bom natal!;)

Led

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O melhor jogo de sempre



Espero não acabar assim...

Led

Floreados

Conta uma mentira extravagante elaborada de detalhes e minúcia e serás abonado com adulação. Diz sempre o contrário do que seria natural dizeres e serás julgado profundo e entendido. Deverá estar aí parte da razão para o certo fascínio e complacência de alguma juventude ocidental mimada pela democracia com as causas dos fascistas islâmicos. Porque não é o que se diz que importa, que está sempre fora de nós. O que se defende é apenas um excelente pretexto para a petulância individual que precisa de sobressair. Porque toda a verdade natural corroeu-se e portanto não atrai a importância da nossa pessoa. E uma falsidade original e exótica cintila mais do que uma verdade arcaica e segura.
Led

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O Carácter de uma nação por Pedro Arroja


“…And yet, despite their contributions to civilization, when you visit Portugal for the first time you might be impressed by the overtly critical tone of the Portuguese about themselves and their country. They seem to be constantly complaining, criticizing and protesting against their own fellow citizens and government. They never seem confortable with their country, as they consider it one of the most backward in the World.

The intellectuals, in particular, seem to rejoice in despising their own traditions, and are always fascinated with what comes from abroad, whatever it may be. The Portuguese seem permanently eager for change - reformas, desenvolvimento, modernização -, as they call it. Yet, if you try to suggest them to do things differently, they pause for a moment, and rapidly find an excuse to keep doing things as they ever did.”

Link

Led

Da escravidão moral

“O meu problema com o discurso «moral» em política é que esse discurso faz necessariamente de todas as outras ideias «imorais». E esse processo contém as sementes do autoritarismo.

É por isso que me oponho ao populismo taxista de direita, a algum ecologismo mais destemperado, ao discurso padreca do Bloco, aos católicos integristas, ao alegrismo e ao basismo 1975.

A vida dos outros é tão moral (ou imoral) como a nossa.”


de Pedro Mexia
A anexar, o moralismo caótico e freudiano do nosso portuguesissímo Vasco Pulido Valente.
Led

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

AVP-Requiem

Desaconselhável, gratuito, sanguinário, previsível, medíocre e infantil.

Adorei.

Led

Behind every successful man, there is a woman. Behind every dead man, there is Chuck Norris.

O vencedor republicano Mike Huckabee nas primárias do Iowa com um inesperado argumento de peso...
Led

Top 15 2007

Apesar do blog estar ainda em convalescença de mais um período de moratória psicossocial eriksoniana (assim como o seu autor sempre esteve), não resisti a cumprir a tradição anual de eleger os melhores álbuns e canções saídos do ano transacto. Para ser diferente e desempatar algumas situações pendentes, acabei por fazer um top 15 onde figuram unicamente os discos e temas mais ouvidos pela minha pessoa e onde o único critério tido em conta foi exclusivamente de índole emocional. Com isto quero dizer que consigo entender casos de discos afamados extremamente bem conseguidos tecnicamente mas que, misteriosamente, não se me transmigraram para o âmago emocional com o mesmo enlevo lógico. Álbuns ambiciosos quase perfeitos (lembro-me por exemplo dos casos do “Sound of Silver” dos LCD Soundsystem ou do “We Were Dead...”, dos Modest Mouse), apurados ao mínimo da sua imperfeição, ordenados num crescendo de arrebatamento, engrenados ao suporte do que os demonstra perfeitos, todas as roldanas trabalham na sua evidência axiomática – consigo reconhecê-los. Saúdo-os de longe. Mas não serviram os pobres desígnios ocultos da minha sensibilidade.
Assim, e para quem se interessar:
Top 15 - álbuns de 2007

1. Radiohead - “In Rainbows” (como seria de esperar...)
2. Silverchair - “Young Modern”
3. U.N.K.L.E. - “War Stories”
4. Explosions in the Sky - “All of a Sudden I Miss Everyone”
5. NIN - “Year Zero”
6. The Shins - “Wincing the Night Away”
7. Bloc Party - “ A Weekend in the City”
8. Arcade Fire - “Neon Bible”
9. Iron & Wine - “The Shepherd’s dog”
10.Oceansize - “Frames”
11. Elliot Smith - “New Moon”
12. Stars - “In Our Bedroom after the War”
13. PJ Harvey - “White Chalk”
14. Smashing Pumpkins - “Zeitgeist”
15. David Fonseca – “Dreams in Colour”
Top 15 - canções de 2007

1. Smashing Pumpkins - “Gossamer” ( bootleg retirada das sessões de gravação do álbum “Zeitgeist” e elejo a mais sensacional interpretação na extensa versão de quase 23 min tocada no Rock-am-Ring 2007.)
2. Radiohead - “15 Step”
3. U.N.K.L.E. - “Chemistry”
4. Silverchair - “If you keep losing sleep”
5. Radiohead - “ Nude”
6. NIN - “In this Twilight”
7. Interpol - “Pioneer to the Falls”
8. Explosions in the Sky - “The Birth and Death of the Day”
9. David Fonseca - “Kiss me, oh kiss me”
10. Sigur Rós - “Hljómalind - Rokklagið (The Rock Song)”
11. Eddie Vedder - “Guaranteed”
12. Bloc Party - "Song for Clay (Disappear Here)"
13. Radiohead - “All I Need”
14. Battles - “Tonto”
15. Editors - “An End Has A Start”

Led

sábado, 29 de dezembro de 2007

Hiato

Os blogs. O meu blog. A popularização das confissões e delírios líricos e poéticos pela blogosfera. Entendo o que em parte me reprime nessa teia vaidosa de intenções, maioritariamente patéticas de precocidade, onde honestamente me revejo. Mas gostava de compreender o outro lado por palavras. A sua entrada no domínio público. O mesquinho extravaso da bisbilhotice requintada. Uma certa forma de virar do avesso os escritos para se saber o que há lá dentro e os expor ao sol. Qualquer coisa assim e não sei. E neste modo de não ser em recato, a perda do sagrado, a sua profanação. E isto acompanhado de comentários de apoio, de análises críticas, de explicações, de uma forma de lhe devassar a sua intimidade. Por vezes o “blogger” ainda se isola para se cumprir. Mas é quase uma formalidade imediatamente desfeita na sua divulgação. Não se trata de que a "plebe" seja excluída do acesso ao desabafo lírico da sua experiência individual. Trata-se de ela ser exposta ao sol, ser um artigo transaccionável como o papel higiénico, de se falar de sensibilidade íntima como de uma mulher pública. Trata-se de lhe prostituir o que por vezes há nela de sublimidade e recato e discrição e mistério. Trata-se de a neutralizar, de a obrigar a despir o enigma. Ou uma coisa assim. Por outro lado, ser sintético, resumido, anti-retórico, enigmático para esconder o enxuto, asséptico, niquelado, de fácil digestão. Parece uma fórmula inesgotável para se ser em cultura e ainda atrair público. Mas nunca se anotou que para se ser eficiente no resumo é preciso qualidade naquilo que se resume. A mediocridade banal é sintética e não cheira mal. Mas não deixa de ser medíocre. Portanto, porque volto aqui? Por auto-flagelação? Por vício irreprimível? Aprecio cada vez mais quem pratica o pudor de vez em quando, mantém-nos terrenos. Mas ainda sim...De vez em quando o blog espreita de lado, esquecido das minhas intenções. Viro a minha cara, faço que não vejo. Não me apetece escrever, nem opinar, quase não me apetece ser. E tudo o que é de me apetecer não se ergue da cadeira em que me espalho, inerte, pasmado para o aquecedor, para o sol que brilha para lá dos cortinados da janela ao fundo. Não mudamos com a idade na disposição do que somos. Apenas, como na música, somo-lo noutra acentuação. Porque volto aqui? Está sol mas há frio. Ouço uma zaragata de cães para o espaço das matas. Há um cão a ganir e outros a ladrar decerto por solidariedade. Vozes longínquas. Uma motoreta passa na estrada em frente com o seu ruído estralejado. Frio coalhado, frio adstrito, frio cristalizado. E a nulidade em mim para ser qualquer coisa em face disso e vir aqui confessá-lo.
Led

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Your future's bleak, you're so last week


Tudo o que é sólido se desmancha no ar, dizia o sociólogo Zygmunt Bauman. Li há tempos um artigo do Eduardo Prado Coelho sobre o pós-modernismo nas expressões artísticas, mormente na literatura e pintura. E o que dizia sumariamente nesse texto é que, depois do modernismo, que é o cansaço, o chateamento, a saturação do modernismo, não há o retorno a antes dele, que é o cansaço e o vazio e tudo o mais a dobrar. Assim o que há é a flutuação, hesitação, cinismo, derivação, neutro, ou seja, cinza (na pintura). O que há é o não se saber o que há e que isso se reflecte na maneira de estar da sociedade e singularmente na maneira da arte a representar. O que há é sobretudo o enrascanço de toda uma civilização ocidental sem saber por onde se referenciar. Até eu já me tinha apercebido, sem citações, menos palavreado e uma infinita ignorância, como se prova no modo urgente e despachado como o digo, modo pós-modernista. Porque a grandeza da vida tem agora o maior valor nela própria e não fora dela, numa qualquer ideia política, religiosa ou o mais. Acabado o tempo de se inventar razões fora dela, não se pode hoje justificar a vida senão nela. Será essa a nossa perdição ou a nossa libertação humanista derradeira. Isto se o planeta não se fartar de vez de nós e das nossas cogitações metafísicas de treta. Treta também é uma boa definição de pós-modernismo.


PS: Não sei o que é o pós-modernismo.

Led (obrigado pela imagem, Nuno)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Radiohead - "In Rainbows" (Disc 2)


Pois é, falamos de Radiohead mais uma vez! De acordo com os planos, a muito antecipada caixa-disco “In Rainbows”(chega às lojas europeias no dia 1 de Janeiro) já foi entregue a alguns fãs que tinham feito a pré-encomenda (claro que, como eu fico sempre para último, a minha deve chegar apenas na próxima semana) . A caixa contém as versões em Vinil e em CD do álbum ( finalmente com qualidade a rondar os 360kbps), um booklet com as letras, um vale de compras no valor de 3 euros no Carrefour, uma assinatura válida por um ano como sócio do SLB, uma fotografia assinada de Chávez com o título “No me lo calo”, a confissão vídeo de Bin Laden como raptor da Maddie, o vídeo porno da Paris (com extras), e, finalmente, mais importante que tudo, um segundo CD com 8 canções bónus.

Inevitavelmente este CD bónus já escapou para a redoma da net e eu próprio já consegui ter acesso a 6 dos 8 temas ( a recordar: 1. "MK 1", 2. "Down Is the New Up", 3. "Go Slowly", 4. "MK 2", 5. "Last Flowers (till the hospital)", 6. "Up On The Ladder", 7. "Bangers and Mash", 8. "4 Minute Warning").


Mais palavras para quê?
Aqui vos deixo então a versão do álbum do tema “Down Is The New Up(para ouvir, carregar play, esperar algum tempo para fazer o download e voltar a carregar play quando estiver concluído) . Impecável...
Led

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

“...e, de repente,

senti que, para além da identidade em que todos se diferenciavam uns dos outros, uma coisa estava acontecendo, acontecera naqueles dias, na acumulação de coisas que haviam desabado sobre mim: tudo desabava numa desordem sem fronteiras nítidas e passava a ter o valor que cada um lhe desse. Isto porém, era ainda um segredo de cada um.”

Jorge de Sena in "Sinais de Fogo" (1979)

Led

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Lost at sea

Sigur Rós -Sæglópur

Led

Tão pouco de tudo...

Não te queixes. Não os ofendas com a tua diferença. Os outros já tem tanto de quê. Não fales de coisas tristes. Os outros têm já tanto que chegue. Não fales em solidão. Todos os outros estão sós. Todos os outros já o sabem, mas não se lembram, não se querem lembrar. Como quando se ama todos os dias e se esquece o amor por habituação. Fala é da alegria destemida confiante, da força, da conquista, de tudo o que nos instaure em imortalidade. Não fales da guerra, da dor, do medo, da doença, da fadiga. Acaba com a estupidez de falares da estupidez da morte. Estamos fartos da cantilena macabra. Para o raio com o negrume que só começa a existir lá para o anoitecer, que é quando não se vê bem e portanto existe com mais força. Ilusões da tua certeza, as sombras semeiam-na da cegueira da noite. Vê-la lá fora? Para além da vidraça, ergue-se do vale com a sua razão categórica. Trémulo bruxulear da claridade que ainda resiste, na oscilação da incerteza se joga o teu destino, se joga o destino do mundo. Um pedaço de sol e mar ilumina e lava a noite mais sombria até aos confins da sua sombra, sabias? Por isso chega de incertezas por agora. A tua vida inteira... Breve fulge no lume pobre, na tua fadiga. É pois só o que te resta de companhia? E o sorriso em filigrana de estares vivo. Que é que realiza um homem para si? Não o que se conquistou, porque o que se ganhou ou perdeu tem o seu limite na morte, onde a vitória e o desastre se reconhecem irmãos. O que te faz ser o que foste é o nada que foi então e humilde se levanta das margens do teu ver e sentir, das margens de tu seres real. E toda a tua vida, toda a complexidade do que nela amealhaste, sobe de ti, dos anos tão cheios agora de coisa nenhuma, cabe inteira no esquecimento do teu olhar alheado. Pequena alegria de estar, imenso nada a preencher o ter vivido e haver um longo percurso ainda a percorrer, contigo aqui, resumo de tudo, indício breve da tua divindade, centelha final do incêndio que ainda fulge – memória de nada, memória de ti. Por isso vê-se estás...Cerra os olhos profundamente. E esquece tudo... Condensa-te agora numa qualquer imagem bonita que tenhas para aí guardada na algibeira. Deste sol da tarde que se derrama pelo escritório, embate na estante de livros, se instala nas tuas mãos. Do raio diáfano que atravessa o horizonte imensurável. De uma memória pacata. Da tepidez dos mares de Outono. Da minúcia doce de um fragmento da sua pele que se arrepia. De um céu infinito que se descobre. Ou de uma qualquer memória de vagas do mar. Tudo isso, apenas isso. Tão pouco. Tão pouco... Foi o nada que te sobrou da tua vida inteira. Por isso abre ao deslumbramento do mistério, da verdade oculta das coisas. Fica à margem e olha. Assiste ao insondável estúpido e sê estúpido com ele, sem uma palavra que o diga. Vives rodeado do mistério e jamais o dominarás. E isso não passa pelas palavras. Por isso vive-o. Respira-o. Como é que isso podia passar pelo exíguo obtuso circunscrito do dizer? Como é que o mistério pode estar num vocábulo? Porque dar um nome seria delimitar, tornar redutível, tentar pôr nas nossas mãos o que nos foge. E tudo é tão efémero e superficial hoje em dia...minha querida...devia talvez haver palavras. É tão necessário... Uma frase luminosa. O pontuado cintilante de estrelas no véu negro do céu. O sol vivo que arrasta consigo o rumor fresco do mar. O bálsamo do vento numa seara. O latir longínquo de um cão na extensão celeste da noite. O crepitar das folhas no parque ao teu passar. Uma toada acústica fresca . O...
Led

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Memória de sol

De uma das varandas em frente o meu prédio trepam plantas que já chegam ao terceiro andar. Bate-lhes o sol-poente, que reluz entre a folhagem tremente. E uma evocação campestre estremece no seu entreluzir. É uma memória tranquila das tardes longas, desafrontadas do calor suave, quando se respira fundo e em silêncio e se espera devagar que a noite vá começar. Tempo suspenso. Tempo de levantamento. Qualquer coisa que se nos erguia, nos embalava, nos expandia, nos fazia respirar o universo a haustos fundos. Tardes de luz, do rumor de águas nos ribeiros da lameira do Côa, de aromas que passam no vento vindos das profundezas da Malcata ao iniciar do Outono e dos rumores familiares das festas dos Santos. Tardes de sossego, de reconciliação com a vida, de olhos semicerrados à divagação erradia, tardes de pacificação, de benção que nos descia não sei donde e nos entrava na alma e aí alastrava como a sagração de uma vida...quantas esperanças e sonhos e vidas não ficaram aí...para sempre incessantes até à infinidade dos séculos.

Led

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

10th

Para os jornalistas que se queixam todos os dias de limitação na liberdade de expressão, vejam lá em que posição está o nosso país (de 169) na classificação dos Repórteres sem Fronteiras:


Esclarecedor?
Led

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um analista da bola

Com o Rui Santos acabou-se a comoção digna de primatas no futebol. Agora as análises futebolísticas são antes de mais ensaios filosóficos, comportamentais ou sociológicos. Agora a coisa é toda ela cerebral, com muito aprumo fleumático e óculos progressistas à mistura.
Suporta-se esse tom, quando há no futebol motivo para isso. Mas como raramente o analista “profissional” fala de futebol internacional e corrói 80% do tempo de antena a divagar sobre o temperamento dos árbitros portugueses, conclui-se que raramente há motivo para falar sobre o que quer que seja. Simplesmente, ele julga que não, ele pensa que por falar à Einstein em voz grossa, Einstein o ouve logo. É verdade que esta aptidão analista já havia sido anteriormente desenvolvida na TVI pelo também “intregríssimo” e esquemático Jorge Coroado. Mas Rui Santos é jovem e promissor. E aqueles óculos dão-lhe outra pinta...Mas no fundo, o que a gente desdenhosa e mal-informada (e saloia como eu) desconfia é que a pose sobranceira só serve para esconder o adepto queixinhas e complexado que no fundo o move. Só pode!

Vou ser incinerado depois deste post...


Para amaciar a questão gostaria realçar que, apesar de tudo, gosto da escolha de gravatas do rapaz. O futebol nacional já merecia gente séria e com nível, sobretudo na escolha do fato e gravata.

Led

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Este post não é original

Será preciso repeti-lo até à exaustão?
Toda a banda/artista que é original é diferente. Mas nem toda a banda/artista que é diferente é original. É fácil destoar pela diferença mas é muito mais difícil entoar pela originalidade. A originalidade vem de dentro para fora. A diferença é ao contrário. A diferença vê-se, a originalidade sente-se. A diferença gasta-se como a sola de uns sapatos, a originalidade perdura no imperscrutável. Assim uma é fácil e a outra é difícil. A diferença é uma fórmula, a originalidade é um modo de se ser e de se sentir. A diferença avalia-se com cautela e exibe-se no fim como uma medalha ao pescoço. A originalidade é inestimável e transmite-se pela emoção. Para se ser diferente vai-se ao barbeiro ou ao shopping das manias ou apregoa-se inconveniências anti-estatutárias. Para se ser original vai-se ter com o divino augusto e espera-se que nos toque. É fácil fazer música só com um ou dois acordes, ou atirar com as palavras à melodia e dispô-las como caírem, fazer serrado na guitarra, copiar trechos electrónicos de sons sem sentido e dispô-los anarquicamente na canção enganando uma falsa erudição, ou cortar o refrão aos bocados e dispô-los em vários tamanhos ou então omitir mesmo o refrão, ou fazer qualquer número de cambalhotas como um equilibrista. Haverá sempre um enciclopedista musical na esquina que aplauda a diferença com arrebatamento e distinção. Haverá sempre quem enalteça a mediocridade por cisma carneirista, ainda que o rei caminhe nu. Agora o que é difícil é sentir de um modo novo, recriar um mundo por sobre o que já foi recriado, ver o que os deslumbrados constitucionais não enxergam. Pôr seja o que for de pernas para o ar não deixa de ser o mesmo por estar invertido. Mas o artista original torna acessível um dos possíveis mistérios para uma nova acessibilidade. E essa nova acessibilidade é que é diferente na maneira profunda de a sentirmos. A originalidade é centrífuga. E só pode ser apreciada intimamente, sem o ruído de fundo da esperteza saloia. Vão-te apontar o dedo ou desprezar-te, provavelmente. Mas por isso é que é difícil ser-se original. A originalidade existe através de nós, a diferença é para os outros.
Led

Nevoeiro nórdico

Logh - The Contractor and the Assassin

Boa noite!

Led

sábado, 20 de outubro de 2007

Grau Zero da música - Sofrer com estilo

30 Seconds to Mars, My Chemical Romance, Green Day, Funeral for a friend, Linkin Park, Hoobastank…

Emo, Punk Revival, Grunge revival, Post-Hardcore, Punk Pop…

A prova que Deus escreve torto por linhas tortas...


...e eu estou a ficar velho.

Led

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Unidade Sindical

Nunca morri de amores pelas manifestações dos principais sindicatos da função pública, reconheço. Sempre me irritou o clima provocatório e histérico desses ajuntamentos de “massas” e o impulso primário à manada. Porque sempre achei que entre isso e nós deveria haver uma distância razoável de reflexão e responsabilidade cívica, de alguma frieza mental. Mas a proliferação de manifestações deste género tem resultado numa banalização desta forma de intervenção que não deixa de ser perigosa, tal como no conto do Pastor e do Lobo. A disseminação de manifestações irresponsáveis com propósitos políticos de achincalhamento à falta de mais argumentos e a constante manipulação e apropriação dos instintos mais básicos e das frustrações mais profundas das pessoas menos informadas, reivindicando todos e quaisquer direitos e privilégios, assenta numa desfaçatez atroz. Ao menos que assumissem de vez que todas estas demonstrações simultâneas acusando o governo de asfixiamento democrático não são apenas fruto de uma casual coincidência de pretensões mas fruto de uma estratégia política bem delineada. Dos velhos esquemas e estratagemas de sempre. O que me ofende sobretudo é imbecilidade displicente, o desprezo e prepotência contra a nossa inteligência e capacidade de observação. Tudo o que importa aos líderes destes grupos (sempre os mesmos) é direccionarem politicamente os factos, retorcendo-os até ao absurdo e fazerem de nós estúpidos com eles. Quanto aos militantes, o seu problema não é o cinismo, mas o fenómeno que Sartre identificou como má-fé, isto é, um acreditar religioso e transcendente daquilo que não é facticamente. E depois existem os remanescentes desta linguagem que mostra como certos sectores da sociedade portuguesa continuam rendidos a trivialidades de salão e de salinha, não ganhou consciência crítica e continua a engolir tudo quanto lhe põem à frente mesmo depois do naufrágio comunista. Como o tipificado desabafo dos manifestantes de que o 25 de Abril não se chegou a materializar, como ouvi há pouco o Tim dos Xutos a propósito da morte de Adriano Correira de Oliveira. Nunca percebi bem onde que se quer chegar com este comentário, senão como mero devaneio lírico. Se o conceito dele de liberdade e democracia vem da utopia excepcional da condição de artista é desculpável. Se o conceito dele de “fazer Abril” está associado às ambições de um grupo político que se queria servir do País, que o ia lançando numa guerra civil, que promoveu nacionalizações vergonhosas, ocupações selvagens, que destruiu empresas, fez saneamentos persecutórios, ocupou jornais e rádios, tentou proibir a liberdade de imprensa e queria mandar os «fascistas» para o Campo Pequeno , então temos de facto um conceito altamente diferente de “liberdade”. Porque esta invocação de liberdade sempre reivindicada pelos grupos ligados ao PC é curiosamente coincidente com a do fascismo, atacar a liberdade pela defesa da liberdade. Por isso irrita-me o grau condescendência e o tabu ao criticismo a estes grupos políticos, de algum modo semelhante a uma certa invulnerabilidade religiosa, e que, trinta e três anos depois, continua a ser considerado como crime de lesa-pátria e uma despudorada declaração de «fascismo», sempre usando e abusando dos heróis (cada um tem os seus) de Abril como arrazoamento sagrado. E isto tudo para dizer, que sem deuses e demónios não há mesmo equilíbrio para o homem. Finda a religião ficámos esbarrados no dualismo “governo reaccionário capitalista e cobiçoso” e o “sindicalista trabalhador eternamente injustiçado” para nos aguentarmos de pé. Por onde se poderá abrir caminho? De tal modo que, ..chega. Vou jantar.
Led

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Song To the Siren

Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Tim Buckley

Led

sábado, 6 de outubro de 2007

Moving my hands upon the clock

Um novo dia. Sol. Energia .Optimismo. E o maravilhoso sermão no tema The Clock.

Led

Destroços

Estamos mesmo no grau zero da civilização. Será que não há nada mais visível para além de nós próprios? Tudo é certo explicável mensurável plausível banalizável experimentável consumível. É o vazio irrespirável e nele temos de respirar. É o ruído lancinante e nele temos de nos escutar. Nenhuma causa se pode hoje inventar para se morrer por ela. Todos os mitos se dissiparam e nada em nós hoje pode segregar um novo. Tudo se nos intromete na alma para relacionamento com o exterior e nada mais. A obscenidade moral em directo na tv 24 horas por dia. Moral, família, crença, política, ideais de qualquer espécie – tudo alegremente para o caixote. Todas as diferenças planificadas a rasoiro, tudo se é em colectivo aperfeiçoado asséptico consolidado até aos limites como as unidades fabris. Desconstruir, desmistificar, dissolver, negar, animalizar. São as palavras actuais de tudo na vida. Nada vale nada porque tudo vale tudo. Desta degradação geral dos valores não surpreende portanto o apelo paralelo e inútil da metafísica das crendices. Ou os suicídios colectivos de certas seitas e fundamentalistas muçulmanos. Porque é o preço da utopia que garante o seu valor. Tudo hoje se cumpre portanto na agressão ideológica, mas a ideologia já não diz nada e só ficou apenas a agressão como ímpeto. Como criar novos valores no meio deste vendaval pragmático e excessivo de informação que tudo devassou? Como ignorar ainda a inquietante sensação de deriva geral? Porque nos limitamos a entreter com as questões da política, do amor, do ciúme, da traição, das minhoquices e merdilhices de questiúnculas de atrasados mentais? Como sair dos espectro de paralisia geral? Como omitir que é belo o sol e estúpido o vento e estamos para sempre sós e gratuitamente vivos e não somos eternos? Como nos pensar para daqui a um milhão de anos quando já estivermos extintos?
Noite densa. Silêncio na terra. Esquecer e adormecer. Amanhã é um novo dia....
Tanto me faz.
Led

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Lição nº 1

Se te resta alguma dignidade meu caro, não te queixes na praça pública para teres um foco de atenção mascarado de anseio de fraternidade alheio. Detém-te um pouco para te veres. Escolhe bem quem queres para teu travesseiro. Não desbarates a reserva. Poupa as palavras, guarda as melhores para o fim como o derradeiro naco num prato. É verdade que o estatuto social proíbe-nos de confessar as fraquezas mais íntimas. Mas a internet é o pior local para se ser em intimidade débil. Porque na verdade os que te ouvem ou te não dizem nada, comprimidos de júbilo, ou mostram piedade por ti, que é a forma de te afastarem para o teu lugar inferior e terem a satisfação de eles não estarem aí. O seu sorriso comisero é apenas o sorriso canino ou o sorriso cínico, que é o jeito natural que lhes fica de carregarem uma navalha nos dentes.
Led

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Sim, sim! Já sei! In Rainbows!



Pois é meus caros! Apenas regresso a este triste espaço para anunciar o impreterível. Por fim os Radiohead lá acabaram por anunciar o lançamento do seu novo álbum no site da banda “Dead Air Space”. O álbum chama-se “In Rainbows” e sairá dentro de 10 dias. Sem grandes surpresas, a lista de temas incluirá a maioria dos temas previstos pelos fãs durante o último ano.

O anúncio que já levou à histeria colectiva de muitos fãs com sites oficiais temporariamente bloqueados foi feito pelo Jonny Greenwood no Radiohead.com, pouco tempo após a meia-noite do dia de hoje. O sétimo álbum da banda (que já se augura como o derradeiro por certas facções de fãs mais pessimistas e carentes de uma vida recheada de sociabilização e ar puro...como isto me soou duro!) estará então disponível para download no site http://www.inrainbows.com/ a partir do dia 10 de Outubro.


Surpreendentemente, não existe um preço definido para cada download o que significará que cada cliente pagará o que achar acertado! Pára tudo!! Estaremos à beira de uma nova era e de uma nova relação artista despretensioso/cliente criterioso e bem intencionado? Claro que não. A fórmula rebelde só resulta para quem já encheu bem os bolsos. Mas voltemos... A versão física (edição de autor) – Discbox ( ou caixadisco!...) – contém o novo álbum em CD, um disco duplo em vinil e um CD multimedia com sete faixas adicionais, fotos, arte e letras. However e desta feita, a abundante caixa terá um preço definido e à medida da sua qualidade...40 libras (perto de 58 euros!) e só deverá sair perto do dia 3 de Dezembro.

Ambas as versões estão já disponíveis para pre-encomenda.

CD1 (download digital e caixa):
1. 15 step
2. Bodysnatchers
3. Nude
4. Weird fishes/Arpeggi
5. All I need
6. Faust Arp
7. Reckoner
8. House of cards
9. Jigsaw falling into place
10. Videotape

CD2 bónus (apenas na caixa):
11. MK 1
12. Down is the new up
13. Go slowly
14. MK 2
15. Last flowers
16. Up on the ladder
17. Bangers and mash
18. 4 minute warning

E é tudo!
Não sou tão bom a dar notícias?
Sem monomanias e melancolias baratas.
Irrepreensível!
Até breve.

Led