sexta-feira, 22 de junho de 2007

Noite quieta.

Noite quieta. Silêncio. Um cão ladra ao longe ao mistério da cúpula sideral. E ao alto, sempre, ressoando a legenda de horizontes, o murmúrio do vento. Senti-lo de novo na face, recriá-lo de novo. O que me transmigra à imaginação em imagens, ideias, farrapos, esboços de uma memória longínqua irreal que nunca aconteceu para ter um propósito de acontecimento. Um eco que se estende para o passado até onde já se não ouve nem vê, se confunde no silêncio e na neblina do sem fim da memória desta noite. O encantamento é isso - escutar e ver para lá do que se vê e escuta e pressentir o anúncio do enigma e da interrogação que emerge de uma comoção profunda irreal e indecifrável. O olhar deslumbrado das coisas. Se eu soubesse a palavra, a inaudível, a que para sempre longínqua, a que nem os sucedâneos de deuses, a derradeira, e pudesse depois ficar em silêncio para sempre...
Existo.

Led

2 comentários:

Unknown disse...

Como eu, "existo", nem que padeça de olhos fechados, mesmo sabendo das minhas obrigações as quais devem ser feitas de olhos abertos.

:)

Hugzz!

Ledbetter disse...

Vivemos de olhos fechados e o mais triste é uma espécie de conluio maquinal e generalizado para que assim permaneçamos e deslembramos o que existe de extraordinário e misterioso no simples estar-se vivo. È um cliché dizer-se isto e as palavras são como pedras, mas é forçoso que realmente integremos essa verdade tão fulgurosa e íntima, a da evidência da vida em face do absurdo da morte. A verdade da nossa revelação.

Abraço.