segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Por falar em Ian Curtis...

...falta menos de um mês para sair o filme baseado na biografia ("Touching From a Distance") escrita pela viúva do trágico vocalista. Ganhou o prémio de melhor filme europeu no último Festival de Cinema de Cannes e tem uma excelente banda sonora criteriosamente seleccionada pelos restantes membros da banda, tendo uma dose ponderada de Joy Division e New Order mas ainda Sex Pistols, David Bowie, Iggy Pop, Buzzcocks, Roxy Music, The Velvet Underground e...pasme-se, The Killers? Come on! Não me interpretem mal, eu gosto dos The Killers mas será que não encontraram ninguém mais adequado para interpretar a canção "Shadowplay"? Enfim...vou esperar para ver e ouvir antes de fazer o juízo final.

Led

domingo, 2 de setembro de 2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Do exílio

Fui à varanda da sala fumar o cigarro para a minha regularidade mental. E vi o sol tremulado no horizonte em frente. E houve um estremecer de alegria em mim nesse frémito de luz. E vim aqui dizê-lo sem sabê-lo dizer. Agora que já passou a alegria e regresso ao afundamento de mim.

Led

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Uma guitarra imensa, abrindo num acorde pelo céu

Explosions in The Sky - Welcome, Ghosts

Led

Manual de sobrevivência

Trabalhar em Agosto pode ser de uma crueldade bruta para quem foi embebido desde cachopo do inviolável relógio anímico nacional. Tempo de esvaziamento, tempo de liquidação do autómato que nos vai oprimindo durante todo o ano. Compasso de espera, de evocação , de renascimento. Por isso desafiar este mês com obrigações pode ser de um sofrimento atroz digno de uma epopeia, sobretudo quando se tem metas a cumprir com celeridade. Pior ainda quando se vive numa cidade que tem a sua programação sintonizada com a debandada geral da vida académica. E o homem é um ser gregário por natureza, dizem os psicólogos. E a preguiça é a mãe de todos os vícios, diz o povo. Contagiante e perversora. E este é ainda o sagrado mês da “silly season” nacional, dizem os jornalistas. Como é que em face destes factos inverosímeis se arranja ainda um espaço mental harmonioso para trabalhar como no resto do ano? Mas nem tudo é um calvário. Por contraposição cria-se uma sensação de apaziguamento geral. As estradas e as ruas estão desimpedidas do rebuliço de carros e pessoas que durante o ano nos deixa por vezes à porta da insânia. O tempo até vai ajudando um pouco com os seus extemporâneos achaques de frescura que nos fazem esquecer a indolência generalizada . E depois é apreciar os doces momentos que por vezes a solidão nos traz. A calmaria em certas alturas. Não apenas a que se define por ausência de movimento mas a outra, a que sobe além dessa e chega até a beatitude. Porque só aí se nos abrem os olhos para a beleza melancólica e a maravilha do mistério de tudo. E só aí se escuta a voz inaudível, a que espera que todo o ruído cesse e cesse mesmo o silêncio que se lhe segue. Neste mês torna-se ainda mais visível o enigma irreal e extático em que Coimbra se suspende. Haverá melhor altura do ano para olhar o rio e sua placidez bucólica debaixo de um imenso véu alaranjado de fim de tarde? E por vezes. Em certos momentos de não sei quê de assombroso. Prestar atenção à música longínqua que se evola do cimo dos vales, do absoluto da imaginação, do fundo da memória. Tudo tão pouco. Tudo tão de tudo. Agosto na cidade pode trazer consigo a voz de um começo, de um abrir para as origens, lugar incerto do nosso destino, da nossa vocação. A cidade torna-se íntima companheira e traz consigo uma transcendente disponibilidade materna. Fora da comunidade, somos nós que a inventamos e nos descobrimos. Até ao afundamento de nós. É escasso para os práticos e inquietos ( e até mesmo para os diletantes do silêncio, como eu), mas o manual de sobrevivência para este mês na cidade nunca foi sinónimo de facilidades. Resta-nos aproveitar o vago de encantamento que por vezes se nos cria. E olhar a génese de tudo. Pela primeira e última vez.
Led

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Fresco e vitaminado, como a época pede

O que se vai explorando por estes lados...Os comentários ao álbum “Na Mouche” pelo especialista de serviço que mora aqui ao lado.
Led

Gástrico

O programa “O Dia Seguinte” é uma verdadeira montra sociológica para o fenómenos de clubite aguda, do qual os constantes refluxos azedos e birras mudas do Dias Ferreira constituem os melhores exemplos do verdadeiro objectivo do programa : cómico futebolístico, lá está! E pouco mais tenho a dizer para não prevaricar mais no pecado do futebolês.
Led

domingo, 12 de agosto de 2007

Há 100 anos atrás nascia o criador de bichos, mundos e montanhas

Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatisfação.
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.
"Letreiro" em Orfeu Rebelde (1958)

"Todos nós criamos o mundo à nossa medida. O mundo longo dos longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples dos simples e o complexo dos complicados. Criamo-lo na consciência, dando a cada acidente, facto ou comportamento a significação intelectual ou afectiva que a nossa mente ou a nossa sensibilidade consentem. E o certo é que há tantos mundos como criaturas. Luminosos uns, brumosos outros, todos singulares. O meu tinha de ser como é, uma torrente de emoções, volições, paixões e intelecções a correr desde a infância à velhice no chão duro de uma realidade proteica, convulsionada por guerras, catástrofes, tiranias, e abominações, e também rica de mil potencialidades, que ficará na História como paradigma do mais infausto e nefasto que a humanidade conheceu, a par do mais promissor. Mundo de contrastes, lírico e atormentado, de ascensões e quedas, onde a esperança, apesar de sucessivamente desiludida, deu sempre um ar da sua graça, e que não trocaria por nenhum outro, se tivesse de escolher."
Coimbra, Julho de 1984

Prefácio do autor à tradução francesa da obra "A Criação do Mundo", Vol I (1931)

Led

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Waiting and groaning

Silverchair - Waiting All Day (live Sydney 2007)

Led

Grandeza de espírito

“Despreza tudo, mas de modo que o desprezar te não incomode. Não te julgues superior ao desprezares. A arte do desprezo nobre está nisso.”

em "O Livro do Desassossego" - Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.
Ser um moralista por falta de coragem. Ter o horizonte curto por precaução. Andar à procura da primeira ideia que lhe sirva como um farrapo pelos caixotes do lixo. Uma forma de um medíocre convencido a imitar a grandeza de espírito é não criticar nada nem ninguém e regressar carimbado na fronte como algo a imitar pelos inferiores de espírito que lhe advenham. Qualquer um o impressiona logo que entre no seu código. Mas não te julgues superior ou inferior, julga-te só quem és se algum dia o chegares a saber. Defende essa ideia com unhas e dentes e depois é aguentar a arrochada. Então serás feliz na única dimensão da felicidade que é a de te saberes e ficares sereno com o que escolheste. Porque o inferior e o superior não são tua propriedade mas dos outros, ou seja, da relação de humilhação que estabeleceste perante eles. Mas não te humilhes. Sê homem.
Led

terça-feira, 31 de julho de 2007

Vergonhoso


Sinonimo: Pedir por esmola, solicitar, suplicar... Infinitivo impessoal, mendigar, Gerúndio, mendigando, Particípio, mendigado ... Infinitivo pessoal, mendigar, mendigares, mendigar, mendigarmos, mendigardes ...


Led

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Pausa

Saturado de lutares, cansado de te procurares no que em ti é de mecânico e em exterioridade sociável. Mas agora esquece o que te é em obediência proletária. Escreve em abandono e desapego, qualquer merdice plausível e aceitável. Mas escreve. É a pressão enorme de criar, sem razão de haver barro para a criação... Quantos te ouvem? Para quantos és audível? Não o és para quase ninguém. E que isso interessa? Aquieta-te no sem-fim do lembrar. Sossega no teu nada tranquilo, não voltes mais. O silêncio é o teu lugar. Fala nele para ti, desfaz-te no teu linguarejar interminável e estéril. E cumprirás o teu destino de Homem como a loucura cumpre sempre o seu numa sala vazia.
Led

domingo, 15 de julho de 2007

Deve ser do tempo

12 candidatos , 6 propostas efectivas de governação, semanas e semanas de algazarra e lamaçal político nos telejornais e uma abstenção final de 62,6%. Que agradável ver daqui da província a democracia participativa a funcionar em todo o seu esplendor na cidade mais informada do país.
E agora chega de farófia de político que já não posso mais.
Led

Não percebo

Se é uma derrota política, partidária, pessoal e assumida com coerência de princípios pelo Marques Mendes porque razão é que ele é novamente candidato para o congresso do partido?
Led

Futuro "Negrão" para PSD

O Marques Mendes vai pôr a liderança em jogo no seu partido. O Menezes até deve espumar de excitação...

Led

Mais contas

Curioso verificar que toda a “raia miúda” de candidatos obteve menos votos do que o número de assinaturas necessárias para a apresentação da candidatura.
Led

Sempre a partir

Pretenso “mega-centralismo intelectual de Lisboa”, expressão do Sousa Tavares a terminar a sessão da TVI. Os jornalistas até reviraram os olhos.
Adorei.

Where is Wally?

Onde andará o Paulo Portas nesta altura? Será que vai assumir a derrota da liderança PP tal como prometera e desafiara?
Afinal já discursou e eu não notei...vai ficar a reflectir nos resultados, ou melhor, na falta deles.
Led

Bem derrotados

Todos os que tiveram como discurso o oportuno de confundir a autarquia com o governo.

Led

A dúvida

Será que foram recrutados militantes de Felgueiras para se juntarem à festa socialista?

Led

Cortes em cadeia

O Pacheco Pereira aqui ao lado queixou-se da interrupção engendrada pelo António Costa durante o discurso da Helena Roseta (tal como Sócrates havia feito com Manuel Alegre), será que notou com a mesma capacidade de observação que o Carmona interrompeu o Costa?
Led

Ora esta!

Mas porque é que ser candidato apoiado por um partido é um acto menos meritório de cidadania do que ser virtualmente independente?

Led

Contas

De 200 mil votantes nestas eleições da capital cerca de 1520 (0,76%) votaram no José Pinto Coelho e cerca de 760 (0,38%) no Gonçalo da Câmara Pereira. Taxistas, membros de claques, monárquicos, retornados e toureiros deverão assim contabilizar 1% do estrato social de Lisboa. Sendo a população actual da capital cerca 564 477 (wikipedia), poderão existir cerca de 4290 apoiantes do PNR e 2145 fadistas desvairados na cidade de Lisboa...um nadinha assustador, não?
Led

sábado, 14 de julho de 2007

O novo populismo

"(...) Este novo populismo prolifera onde está instalada a incerteza, o medo, a ignorância e a crendice. Antipoder por argumento é a rampa de lançamento ideal para aqueles que mais do que tudo estão ávidos de poder. Helena Roseta é neste sentido o melhor exemplo. Ao falar em nome dos cidadãos, como se estes fossem a sua coutada particular, não consegue disfarçar a ansiedade de um protagonismo e poder que claramente não conseguiu conquistar por meio do muito exigente crivo partidário."
Leonel Moura - Jornal de Negócios

Um excelente artigo mesmo aqui!
Led


Led

Memorable quotes


"Lucy: You know that was really hard for me to say? I mean...what are you trying to do? Scare me? Well congratulations!

Carter: I'm trying to wake you up! There's a big fucking world out there. It's messy, and it's chaotic, and it's never, it's never ever the thing you'd expect. It's ok to be scared but you cannot allow your fears to turn you into an asshole, not when it comes to the people that really love you, the people that need you.

Lucy: So I guess we're done right?

Carter: Yeah, we're done."

from "In The Land Of Women" (2007)

Led

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A religião da paz no seu melhor


A polémica continua passados quase 20 anos...

Em 1988 o escritor indo-britânico Salman Rushdie publica o livro "Versículos Satânicos" em que seria “ofendida” a religião islâmica. De acordo com a lenda, Maomé adicionou versos ao Corão admitindo (além de Alá) três deusas que seriam anteriormente veneradas em Meca como seres divinos. Ainda segundo a lenda, mais tarde Maomé revogou estes versos, dizendo então que o diabo (o próprio!) o tinha aliciado a incluir estas linhas para satisfazer os Mecas. Contudo, no livro ficcionado o narrador revela ao leitor que estes tais versos polémicos teriam de facto origem no Arcanjo Gabriel e não em Satanás...
E de imediato cai o “Carmo e a Trindade” (antes fosse) no mundo muçulmano! ”Blasfémia contra o Islão”! “Fatwa”! Em face disso, o tarado do Khomeini do Irão (o respeitável líder espiritual da altura) condenou à morte o escritor, que vivia na Grã-Bretanha, prometendo mesmo a recompensa de quatrocentos e tal mil contos a quem o executasse. E a mesma sentença de morte estender-se-ia aos editores que publicassem o livro. Nessa altura, muçulmanos de todo o mundo apelaram à sua rápida execução. Editores seus foram atacados à bomba de Inglaterra à Califórnia. O editor japonês foi assassinado, e o norueguês saiu gravemente ferido de um atentado. Muitas mais pessoas morreram em conflitos pelo mundo muçulmano. O livro foi queimado em autos-de-fé em sítios tão improváveis da África do Sul ao Reino Unido e EUA. Por causa disto o Irão chega mesmo a quebrar relações diplomáticas com o Reino Unido durante meio ano.
Todo o mundo ficou siderado. Como é que no nosso tempo era possível condenar-se alguém à morte por motivos religiosos? Decerto poderia ser grave ofender-se a sensibilidade de um crente. Mas em que tempos estaríamos nós para ser possível pagar isso com a vida? E sobretudo como era possível que um louco criminoso se permitisse mandar executar alguém fora do seu país. Como se tinha a desfaçatez de alargar a países estranhos a sua acção judiciária?

Rushdie nunca chegou a ser distinguido com o Prémio Nobel porque a Academia Sueca nunca se atreveu a afrontar o Islão. A perseguição arruinou a sua vida pessoal, obrigando-o a viver clandestino e protegido pelos serviços secretos britânicos durante nove anos. Uma das consequências dessa reclusão foi ter sido abandonado pela segunda mulher, a escritora Marianne Wiggins. E acabou por definir o exílio, pois Rushdie mudou-se para Nova Iorque. Há poucos dias, em reconhecimento da sua obra literária, a rainha de Inglaterra fez dele cavaleiro, decisão que o Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha considerou “uma afronta”.

Curiosa situação esta. Só no passado a fé ia a África e ao Oriente matar mouros. E são eles agora que repetem a malfeitoria da questão. E é toda esta confusão que ainda nos deixa siderados 500 anos depois das nossas arremetidas. Onde estávamos nós que tínhamos anulado o poder religioso? Que nos arrepiávamos com os crimes da Inquisição? Que os integrávamos, quando muito, na óptica de há séculos? Que a julgávamos impossível neste início do terceiro milénio? Porque é como se descobríssemos um exemplar de uma espécie já extinta há milhares de anos. Ou mais. Mas sobre tudo o que nos desvaira de assombro é que exista ainda uma religião, disseminada pelo Mundo, que possa chamar a si um projecto de domínio temporal, que possa trespassar praticamente todos os islâmicos de uma crença religiosa em tempos de agnosticismo ao ponto de fazer disso uma arma de extermínio e muito possivelmente de expansionismo.

Há um mês, no Paquistão, o ministro dos Assuntos Religiosos lembrou ao Ocidente que é este tipo de “atitudes” que justifica o terrorismo: «If someone commits suicide bombing to protect the honour of the Prophet Muhammad, his act is justified.».

E é este o horror que de todo o modo vamos acabando por admitir, com medo de represálias e de epítetos islamofóbicos!

Led

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Mudhoney + D3O – Almada (11-07-07) : review

Expectativas “gripadas” a meio da A1....

Sorte miserável ou os miseráveis motores franceses?

O concerto? Bem, esse deve estar a ser super-espectacular....

Bahhh...

Led

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Das máscaras

“Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste (...) Na realidade isto é como Pompeia, um vasto sepulcro: aqui se enterraram todos os nossos sonhos… Sob estas capas de vulgaridade há talvez sonho e dor que a ninharia e o hábito não deixam vir à superfície. Afigura-se-me que estes seres estão encerrados num invólucro de pedra: talvez queiram falar, talvez não possam falar.(...) Estamos enterrados em convenções até ao pescoço: usamos as mesmas palavras, fazemos os mesmos gestos. A poeira entranhada sufoca-nos. Pega-se. Adere. Há dias em que não distingo estes seres da minha própria alma; há dias em que através das máscaras vejo outras fisionomias, e, sob a impassibilidade, dor; há dias em que o céu e o inferno esperam e desesperam. Pressinto uma vida oculta, a questão é fazê-la vir à supuração.”

Raul Brandão – Húmus, 1917

Led

terça-feira, 26 de junho de 2007

À atenção do Público

O jornal Público ficou escandalizado com a queixa crime por difamação feita pelo cidadão José Sócrates ao blogger responsável pela divulgação de notícias e documentos respectivos à carreira académica do mesmo cidadão José Sócrates. Rapidamente se apressou a colocar uma setinha no sentido descendente na última página relativa à prestação de José Sócrates. O próprio José Manuel Fernandes, numa das suas brilhantes crónicas que recentemente nos tem brindado, vestiu a farda da compreensão palaciana e considerou que essa queixa só vinha a acicatar um processo já de si sobejamente negativo para a imagem do primeiro-ministro e do governo. Santa compaixão. Entretanto, e sem muito alarido, souberam-se notícias acerca de uns determinados pagamentos obscuros a Marques Mendes pela empresa proprietária da Universidade Atlântida, quando este era ainda ministro dos Assuntos Parlamentares no Governo liderado por Durão Barroso. O José Manuel Fernandes não quer saber. Depois vieram as notícias acerca de umas determinadas falsificações das contas do CDS-PP. O José Manuel Fernandes não acha valer a pena fazer manchetes com disparates como esses.

A imparcialidade da informação é um estrado, só dá direito a indignação se o governo ou o PS estiverem metidos na confusão.
Led

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Dançando no escuro da noite

Björk ft. Thom Yorke - I've Seen It All ( "Dancer in the Dark" OST)

Led

Pessoal e Intransmissível

De vez em quando, um medo incerto, um pânico sem razão, a presença de uma ameaça que não sabemos de onde vem. Toda a nossa vida é um rede de apoios, de suportes que nem imaginamos, que não sabemos que existem, mas que nos dão tranquilidade como a uma criança a família. As nossas ligações estendem-se assim para todo o lado, não estamos sós, num momento difícil basta darmos um sinal. Mas de vez em quando é como se subitamente nos víssemos num mundo deserto. Reduzidos a nós, o pavor assola-nos, mais espontâneo, porque é como se não houvesse ninguém para o testemunhar e nos faltasse a razão do pudor para o não mostrar-mos. O terror maior é esse – sermos só nós a nossa testemunha. A velhice deve ser isso. Estarmos sozinhos em face da dor e da morte para sempre intransmissível.
Led

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Noite quieta.

Noite quieta. Silêncio. Um cão ladra ao longe ao mistério da cúpula sideral. E ao alto, sempre, ressoando a legenda de horizontes, o murmúrio do vento. Senti-lo de novo na face, recriá-lo de novo. O que me transmigra à imaginação em imagens, ideias, farrapos, esboços de uma memória longínqua irreal que nunca aconteceu para ter um propósito de acontecimento. Um eco que se estende para o passado até onde já se não ouve nem vê, se confunde no silêncio e na neblina do sem fim da memória desta noite. O encantamento é isso - escutar e ver para lá do que se vê e escuta e pressentir o anúncio do enigma e da interrogação que emerge de uma comoção profunda irreal e indecifrável. O olhar deslumbrado das coisas. Se eu soubesse a palavra, a inaudível, a que para sempre longínqua, a que nem os sucedâneos de deuses, a derradeira, e pudesse depois ficar em silêncio para sempre...
Existo.

Led

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Análises técnicas puras não existem

"De uma confederação de capitalistas como a CIP esperar-se-ia que defendesse o capitalismo. Mas no momento em que esta entra no debate sobre o novo aeroporto, o que nos diz? Que os patronos de um estudo sobre o assunto são empresários anónimos "que não têm quaisquer interesses na localização do novo aeroporto". E a pergunta é: como raio os foram descobrir? Há empresários de referência em Portugal a quem a localização de um novo aeroporto é indiferente? E que, mesmo nesse caso, gastam dinheiro num estudo sobre o assunto? Fui de fim-de-semana pensando que os nossos empresários são, então, piores do que eu pensava.
Mas entretanto descobriu-se que a Lusoponte ajudou a pagar o estudo; faz sentido, porque seria uma das principais beneficiárias da localização a sul. E descobriu-se que o governo acompanhou o estudo desde o início; lá se foi a bela desculpa de que os empresários eram anónimos porque temiam represálias do Estado. O mundo entrou nos eixos, e uma nova semana começou. "
Rui Tavares, Público (18/06/07)

A razão é uma marafona, abre a perna a quem lhe paga.
Led

terça-feira, 19 de junho de 2007

Claustrofóbica oposição do claustrofobismo

Desde há uns tempos para cá se tem vindo instaurar na opinião pública a ideia de que a liberdade de expressão está sendo posta em causa por este governo ou ainda, como recentemente Rui Moreira se referiu na entrevista concedida à RR, de um clima generalizado de opressão e “claustrofobia democrática.” Os sindicatos gritam em greve pela direito indissolúvel à greve, o professor Fernando Charrua consegue captar a generalidade dos meios de comunicação social e até do Presidente da República ao queixar-se de falta de liberdade de expressão e da candura dos seus comentários jocosos (maneira aprazível de se referir às origens maternas do primeiro ministro) em relação ao patrão que lhe paga e lhe merece reverência. Na televisão, feirantes apanhados a vender contrafacções gritam contra a proibição da liberdade de vender falsificações. Todos os dias, a direita partidária apregoa que o intervencionismo do Estado asfixia a liberdade individual (até o PCP, vergo-me à ironia) e que a subida de sondagens para o PS e o seu líder é apenas sinónimo do célebre gosto cultural do português ignorante pelo autoritarismo. Os donos das universidades encerradas concluem que o vergonhoso desenlace só pode ser uma violação da liberdade de ensino. A recém instaurada e agressiva linha editorial do jornal Público (pelas mãos de um irreconhecível José Manuel Fernandes) todos os dias propagandeia a ideia de asfixia e condicionamento pelo estado na opinião pública.(Mas aqui estranhamente já ninguém pergunta se a falha do processo de aquisição da PT pela Sonae tem alguma coisa a ver com a súbita mudança de alinhamento ideológico do jornal). Lendo alguns comentadores mais entusiasmados pela escalada emocional generalizada, verifico que até já analogias ao que se passa na Venezuela e mesmo referências ao estado novo fazem parte deste novo dialecto oposicionista. Depois do governo ter cedido a um hiato com o objectivo de realizar mais estudos sobre o futuro aeroporto internacional, eis que, surpreendentemente, verifica-se o efeito oposto, a generalidade dos comentadores verga-se à tese de manipulação obscura do estudo realizado pelo CIP e todo um processo de debate que teoricamente deveria apaziguar a malta que aponta o dedo à obstinação autoritária do governo, rapidamente inquinado. Meus caros, tenhamos calma! Terem liberdade para exaustivamente se queixarem de falta de liberdade de expressão é exactamente um exemplo de quê?

Led

domingo, 17 de junho de 2007

An End Has A Start

I don't think that it's

Gonna rain again today

There's a devil at your side

But an angel on her way

Someone hit the light

'Cause there's more here to be seen

When you caught my eye

I saw everywhere I'd been

And wanna go to

You came on your own

That's how you'll leave

With hope in your hands

And air to breathe

I won't disappoint you

As you fall apart

Some things should be simple

Even an end has a start...

Riffs melosos e inspiradores de grandes espaços combinados com letras negras e pungentes. A celebração do triunfo estúpido da vida sobre a estupidez da morte. Gosto. Rock do efémero para embalar num argumento nocturno e a 200 à hora. Não é original, mas deixo para os catedráticos da opinião esse entretém. Eu gosto e recomendo vivamente.

Led