sábado, 24 de fevereiro de 2007

Vem


Vem. Quem? Não sei. Ninguém, a graça, o milagre. A beleza impossível. Vem. Amanhece devagar, é a hora de passares. Não digas nada, não quero mais nada, que é que poderias dizer? Nem precisas de olhar. Quero apenas estar atento ao teu passar. È um momento único, não posso deixar perdê-lo. É um instante combinado em toda a eternidade e se o perder não vai acontecer jamais. Combinei-o com os astros, a ordem infinita do Universo, não é um acaso casual. Todos os biliões das nebulosas e das estrelas que nelas brilham foram reguladas nas suas órbitas para nesse instante passares. A graça, o impossível. Eu estou preparado para te ver passar e mais nada. Virás na aragem da tua essencialidade e eu ver-te-ei desaparecer na neblina com que nos afastam o que é já longe. Estarei presente no instante breve de passares. Vem. Eu espero. E toda a massa infinita do Universo integrar-te-á e ao nosso encontro na ordem e perfeição da sua infinitude.

Led

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

A política da intimidação


O que escreveu Rui Tavares no último pingue-pongue com Helena Matos quando o assunto da teatral demissão de Alberto João Jardim veio à baila :

“E eis que em pleno Carnaval –apropriadamente- Alberto João Jardim se demitiu de chefe do Governo Regional da Madeira para logo se voltar a candidatar ao mesmo cargo. Implicitamente, admitiu que a realidade política em que ele se movia mudou de forma radical. Explicitamente, a mensagem que quer fazer passar é a de que só admite jogar segundo as suas próprias regras. Vejamos cada um dos aspectos.

Alberto João Jardim não é um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Alberto João Jardim apenas parece um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Essa imagem é crucial para os seus intentos. Nos intervalos, Alberto João Jardim pode ser manobrista, sedutor, surpreendente, um encanto de pessoa. Esta versatilidade permitiu-lhe sempre navegar na política nacional, com algum risco é certo, mas dividendos incomparáveis. Entalou os políticos nacionais e comprou o consenso dos madeirenses. Governou uma região como quis, com os recursos que quis, durante o tempo que quis. Nenhum outro político português se pode gabar do mesmo.

Subitamente tudo mudou. Sócrates foi eleito não apenas com maioria absoluta, mas uma maioria absoluta que dispensa os votos madeirenses. Não só Sócrates não precisava de Alberto João, como nem precisa de se preocupar com a eventualidade de vir a precisar. Foi aí que a arte da intimidação, em que Alberto João Jardim se especializara, deixou de funcionar.

Em que consiste a arte de intimidação? Em deixar os outros permanentemente suspensos, receosos das nossas atitudes. Tudo em Alberto João Jardim, desde a linguagem à retórica, denuncia alguém que se compraz em meter medo aos outros. Quando Alberto João se “porta mal”, pode enxovalhar, insultar, ameaçar. Quando Alberto João se “porta bem”, o que faz nos intervalos, sorri, brinca, lisonjeia. Mas mesmo aí os sues interlocutores continuam encolhidos, à espera da pancada. Alberto João Jardim manipula-os, prolongando o gozo, deixando-os na ignorância de quando virá o próximo acesso de agressividade criteriosamente gerido e encenado. Por isso os madeirenses que o rejeitam se calam em público e os que o apoiam o louvam o mais que podem. Por isso os líderes do PSD vão à Madeira a medo, receando que ele lhes prepare alguma surpresa. Por isso os jornalistas nunca o confrontam, com receio de desencadear uma fúria. Se ele estiver virado do avesso, salve-se quem puder. Se ele estiver um doce, pior ainda: não se pode relaxar.

Esta manha permite-lhe ocultar algumas coisas. Na verdade, já acabou o tempo em que o estilo de Alberto João Jardim beneficiava a Madeira; hoje em dia Alberto João é um peso morto que perdeu a batalha das finanças regionais, não tem amigos nem aliados, não consegue sair da cena por cima. Na verdade, Alberto João Jardim apresenta os continentais como ladrões e os seus rivais madeirenses como traidores precisamente para ocultar que ele, hoje, prejudica mais do que auxilia. Na verdade a Madeira teria a ganhar em ver-se livre de Alberto João.

Na verdade só há uma maneira de enfrentar a política da intimidação: não se deixar intimidar.”
Público 22-02-07

A registar!

Led

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Ainda é possível ultrapassar a mera possibilidade

Ricardo Quaresma, o génio dos génios, o Harry Potter do Dragão, resumia e concluia desta forma:

« O que senti quando vi aquele remate bater no ferro? Fique triste por ver a bola a bater na trave, mas como todos nós sabemos o futebol é mesmo isto. Reagimos bem e tivemos mais oportunidades que o Chelsea. Mostrámos que temos valor para ir a Londres e ganharmos o jogo. Acho sinceramente que podemos vencer em Londres. Mostrámos que não somos inferiores ao Chelsea e criámos várias ocasiões para marcarmos golo. Infelizmente não o conseguimos, há que continuar a trabalhar e manter a consciência tranquila porque fizemos tudo para vencer. Nos últimos dez minutos senti-me um bocado cansado, sobretudo por estar a jogar com uma equipa de topo e por ter feito tudo para ajudar a equipa».
O nosso ( e sempre) grande Mourinho desculpava desonestamente a derrota da sua equipa na última passagem pelo Dragão com o facto de não ter sido “um jogo a sério”, imagino que este finalmente o tenha sido...Se a sua mente engenhosa assim o deliberou, então considero este grau de seriedade do Chelsea francamente acessível ao intrépido FCPorto de ontem à noite, o FCPorto infatigável da “garra” e do arrojo que claramente o individualiza das restantes equipas grandes nacionais quando o desafio é elevado e laborioso. É deste Porto que eu gosto e me orgulho de ver jogar e adorava que a entrega apaixonada fosse sempre do mesmo calibre contra qualquer adversário. Por isso, tal como FJViegas, concordo que “Todos os adversários do F. C. Porto deviam chamar-se Chelsea”.

O FCPorto que não tem medo de correr riscos, de aceitar desafios, de ir à luta, por mais incerto que pareça o seu desfecho. Aproximámos o esférico por 4 vezes do fundo das redes de Petr Cech, mas só por uma vez entrou. Dominámos o jogo quase por inteiro e por várias vezes quase banalizámos a luxuosa equipa londrina. Podíamos também dizer que atacámos inconsequentemente e apenas o quanto o Chelsea ia deixando, mas esta perspectiva é só meia-verdade. A outra verdade é que , pela entrega afeiçoada, foi injusto este empate com o Chelsea. Empatámos com o campeão oriundo do 2º campeonato mais competitivo da actualidade, com uma equipa formidável cheia de talentos, com um orçamento infinitamente superior ao dos dragões (95% acima li algures) e treinada pelo melhor do mundo. Quem quer vencer o Chelsea tem obrigatoriamente de se aproximar da perfeição e ter alguma sorte, porque qualquer erro pode ser fatal. É uma equipa que sabe controlar o jogo sem arriscar muito e sempre a jogar no erro do adversário. Por todas estas razões o desafio era à partida desigual mas fiquei convencido no final que o F.C.Porto era capaz de um pouco mais. Partimos agora como eliminados para Stanford Bridge , onde o Chelsea de Mourinho só perdeu uma vez em casa. Por acaso até foi numa eliminatória dos oitavos-de-final da Champions e este Porto já nos obrigou a acreditar na transcendência e na superação dos desafios mais abrolhosos e emocionantes que muitas vezes teceram o seu caminho glorioso nesta competição. No dia 6 de Março, e mais uma vez contra todas as expectativas, eu acredito não só na possibilidade mas na sua concretização! Não é esta a magia do futebol?

Led

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Blackout

A vida escreve num muro uma rede inextricável de sinais: o artista torna visíveis os que significam.

Muse - Blackout (Glastonbury 2004)

Toda a beleza tem um além de si. E esse além é que era...
Led

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Dos dogmas

Uma verdade que se aceita começa logo a morrer. Ou seja, a ser erro. É a altura de outro erro começar a nascer, a ser verdade.
Led

domingo, 11 de fevereiro de 2007

NIN - Coliseu de Lisboa 10-02-07

Apesar da noite ter começado com uma prestação verdadeiramente dolorosa dos PoPo ; da falta de meios visuais exuberantes que marcaram outros concertos da tourné americana; dos jogos de luzes se terem ido abaixo logo ao terceiro tema ( a que Trent Reznor se referiu com algum escárnio em algo como "of course something has to go wrong on the first night."); da falta de encore ( que, apesar da frustração dos fãs que se mantiveram infindavelmente assobiando, batendo os pés e invocando pelo nome da banda, parece constituir uma normalidade nos concertos dos NIN)...houve um Coliseu a abarrotar de culto abnegado; uma setlist notável que percorreu toda longa discografia da banda (os tais “Halos”); o carisma magnetizador de Trent que não necessita de falar muito para nos hipnotizar com a sua voz assombrosa; a bateria simplesmente imponente e impagável de Josh Freese ( o tal que já lá havia actuado com os A Perfect Circle) ; a consistência do baixo de Jeordie White (ou Twiggy Ramirez); e uma actuação cheia daqueles detalhes e floreamentos sonoros envolventes que nos foram comutando com mestria e fluidez cada um dos mundos inebriantes, sombrios e sofridos de cada canção dos NIN até ao clímax mais visceral e açambarcador...
Sem mais palavras... muita acima das minhas expectativas mais elevadas! O que eu daria para estar lá mais uma vez hoje e amanhã à noite! Terei mesmo que me contentar com a T-Shirt de má qualidade comprada na clandestinidade no final como memorial de uma prestação absolutamente arrasadora...

Eis o alinhamento para um espectáculo de cerca de 1:30 min:

0. Pilgrimage (intro)
1.
Mr. Self Destruct
2. Last
3. Terrible Lie
4. March of the Pigs
5. Something I Can Never Have
6. The Line Begins To Blur
7. Closer
8. Burn
9. Wish
10. Help Me I Am In Hell
11. Eraser
12. La Mer/Into the Void
13. No, You Don't
14. Only
15. You Know What You Are?
16. Hurt
17. The Hand That Feeds
18. Head Like A Hole


Temas da noite: Terrible Lie (tocada com as luzes do palco apagadas); March of the Pigs; Closer; Burn; Hurt; Head Like a Hole

A Mark Has Been Made…


Led

Sim!!!


Led


sábado, 10 de fevereiro de 2007

Preciso

Amanhece já devagar. Da janela aberta para se escoar o fumo do cigarro, ouço o tráfego da avenida com um rumor longínquo como se fosse longínquo. E eu vou com ele na tranquilidade de mim. O Inverno passou, vai passar. E o sol vem aí para se demorar connosco e eu me sentir nele com a alegria de que preciso.

Led

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Infusão

Há uma música bela que te fascina. E toca-la inúmeras vezes como se quisesses apropriar-te dela, transfundi-la a ti. Mas antes de te apropriares da sua beleza, ela desfaz-se. Porque só é belo o que está perto e longe. É aí por exemplo que Deus existe. De muito longe não se vê. De muito perto leva ao ateísmo.


Mogwai – New Paths to Helicon I

Led

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

A verdade é impessoal


Toda a verdade convicta cria logo discípulos. Porque o que seduz na força da verdade é a verdade da sua força. Com a verdade cria-se uma doutrina, com a força pode criar-se um império. E o poder com a extensão do domínio importa mais do que o saber. Mas uma verdade só é verdade quando levada às últimas consequências. Até lá não é uma verdade, é uma opinião.


Led

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Memorable quotes from “25th hour”

After reviewing the movie last monday night, who could forget the fantastic wrathed up monologue from Monty Brogan (Edward Norton) in the “25th hour”?

(…) Fuck this whole city and everyone in it. From the row-houses of Astoria to the penthouses on Park Avenue, from the projects in the Bronx to the lofts in Soho. From the tenements in Alphabet City to the brownstones in Park slope to the split-levels in Staten Island. Let an earthquake crumble it, let the fires rage, let it burn to fucking ash and then let the waters rise and submerge this whole rat-infested place. No. No, fuck you, Montgomery Brogan. You had it all, and you threw it away, you dumb fuck!


Fckin'brilliant!

Led

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

History I've seen so much I'm going blind

I think I need a damn coffee and watch much less tv...



Led

Do Prós e Contras

É fantástica a quantidade de tinta e cuspo que se gasta na contenda da despenalização do aborto. Além da disputa hipócrita e manipuladora de desvirtuar a simples questão numa aparatosa dita defesa honorífica de um dito ser humano (sem se perceber exactamente o que andaram a fazer os coerentes defensores do não durante 23 anos de existência de um lei que, segundo o seu austero e preocupado juízo religioso - que curiosamente impede os funerais dos mesmos fetos- , imperiosamente homicida), chega-se mesmo ao cúmulo estupendo de aflição argumentativa ao invocar razões consequentes de carácter demográfico. Ai, apaixonada Katia Guerreiro, que o fado é sempre o mesmo! Se rodos os casais, em generalizada obediência católica ou ainda no mais honroso e patriótico acto diligente produzissem a filharada que a fisiologia consentisse, só fornicassem para haver produção, em menos de poucos anos não haveria para cada indivíduo um metro quadrado de território. É evidente que tudo isto se enlameia em fanatismo rançoso, porque para haver equilíbrio demográfico e não haver aborto, há a pílula e o preservativo que a Santa Igreja não consente. É óbvio que, dado tudo isto, o que a Igreja e os seus súbditos apenas visam é uma afirmação de força e a imposição de uma moral fatigada para se saber que ela existe. A questão do aborto é assim e incrivelmente neste início de século, mais uma questiúncula escolástica, com gastos de palanfrónio que era talvez mais justificável se se discutissem questões mais urgentes. Que vão então para o diabo que os carregue, incluídos todos os senhores dignitários eclesiásticos, que, aliás, não se deverão entender mal com ele!
Led

domingo, 28 de janeiro de 2007

Como baralhar as coisas

“Adaptação livre [muito livre!] do espírito do Marcelo:

- Está a chover?
[Ora, está a chover a potes, mas, dizendo eu que sim, ele vai querer levar o meu guarda-chuva... e eu não quero isso, portanto, para evitar discussões posteriores...]
- Não!
[... ele que se molhe!]”


Retirado daqui

Led

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

O Marcelo não confia nas mulheres


Decidi publicar na íntegra uma resposta interessante ao Prof. Marcelo da conhecida jornalista Fernanda Câncio (Glória Fácil), desmontando todo o malabarismo intelectual mais desonesto e cínico vindo de certos sectores dos defensores do não que usam e abusam com uma esperteza perversa da lógica dual do referendo. É esperto porque acicata a desconfiança inerente dos portugueses nas instituições, no Estado, nos governantes, nos políticos... e todos sabemos como o português gosta de esquemas, de manhas , de enredos obscuros e de agendas escondidas de partidos, abraçando rapidamente a desfaçatez e a renúncia do que à partida parecia uma escolha natural. Sendo que o principal intuito dessa lógica inversa é claramente a confusão do eleitorado flutuante e desmobilização do eleitorado do sim . Mas quanto à posição em si, que tenta falsamente demarcar-se da beatice bafienta dos movimentos religiosos por ser dirigida a uma camada mais sensata e informada da sociedade...Não vejo como se pode defender que as mulheres que abortam prematuramente não devam ser presas e, ao mesmo tempo, anunciar que se votará contra a descriminalização proposta. Alguém o tinha escrito e é verdade, é certo que, e como em tudo, poderá haver sempre casos de desmazelo e irresponsabilidade de mulheres que fazem aborto, ou ainda prematuramente que engravidam devido a negligência, mas a irresponsabilidade moral não pode ser legislada, é para ser lidada pela consciência ética de cada um, ou não estivéssemos a falar de mulheres emancipadas. Até porque certamente essa não será experiência mais preponderante. Poucas mulheres farão aborto levianamente. O normal é o aborto levar a sofrimento, angústia e uma humilhação profunda. E é exactamente e não mais sobre esse drama que vamos votar, impedindo que permaneça criminalizado.
Mas vejam o que escreveu a Fernanda, é que vale mesmo a pena ler tudo:

O professou Marcelo tem, diz ele (acabou de dizer na RTP), uma posição heterodoxa. Um NÃO heterodoxo, muito especial, verdadeiramente extraordinário. E porquê, explica ele? Porque ele é ‘contra a penalização da mulher. Às dez semanas, aos cinco meses, aos oito meses.’Se a pergunta fosse, portanto, ‘está de acordo que a mulher que aborta – no limite, até aos 9 meses – deixe de ser criminalizada?’, o professor Marcelo responderia SIM, concordo. Mas, explica o professor, o que a pergunta do referendo pergunta é ‘muito mais que isso’. Porque ‘a mulher pode abortar sem causa nenhuma –- não há período reflexão nenhum nem aconselhamento nenhum --, para uma lei de liberalização nestes termos sou NÃO’.

E portanto, diz o professor Marcelo, que ninguém sabe onde foi buscar esta ideia de ‘não haver período de reflexão nenhum nem aconselhamento nenhum’ – vai-se a ver o professor Marcelo queria um boletim de voto com umas cinco páginas e uns trinta artigos a especificar as exactas condições em que se poderia interromper a gravidez, o número de dias de reflexão, a composição dos gabinetes de aconselhamento, etc -- ‘é muito claro: eu até sou SIM à despenalização mas sou contra uma lei que vai mais longe que a despenalização, que é permitir uma livre escolha sem justificação nenhuma. Um estado de alma permite à mulher abortar. Porque lhe apeteceu, põe em causa uma vida humana’.E acrescenta que ‘os progressistas espanhóis, que legalizaram o casamento dos homossexuais, não fizeram isto, têm uma lei como a nossa actual e não quiseram mudá-la’.

Ainda bem que o professor Marcelo é tão claro. Eu, por exemplo, que nem sou professora nem formada em leis e tenho as minhas muitas e muito óbvias limitações, fiquei a perceber que o professor Marcelo acha que interromper uma gravidez até às 10 semanas deve continuar a ser crime porque a pergunta permite que a mulher escolha. Já interromper uma gravidez até aos 8 meses, desde que não fosse a mulher a escolher, não seria crime.

Ou seja: interromper até às 10 semanas por decisão (‘estado de alma, apetecimento’, como diz o professor) da mulher não pode ser porque põe em causa uma vida humana. Perseguição penal e pena de prisão com ela (e não venham com a conversa de que elas não vão presas. Não vão presas porque a pena foi nos últimos anos suspensa, mas a sentença ninguém lhes tira). Já aos 8 meses de gravidez, desde que interromper seja por decisão de outrem (o professor Marcelo não explicou de quem, mas isso agora não interessa nada), não põe em causa uma vida humana. Ou melhor, põe, mas não faz mal. Deve ter sido por uma boa causa, sem estados de alma, porque não foi uma mulher a escolher.

Claro que o professor Marcelo não se deu ao trabalho de explicar o que é que ele acha que são razões e motivos atendíveis, que não estejam já na lei em vigor, para se interromper uma gravidez, como ele diz, aos 8 meses (altura em que, como toda ou quase toda a gente sabe e presume-se que o professor Marcelo também deve saber, já se fala de bebé e não de feto e há quase generalizada viabilidade). E claro que também não interessa nada em que condições se faz uma interrupção de gravidez: nunca houve mulheres a morrer disso, como se sabe (invenções da malta fracturante) nem a ficar estéreis ou a passar uma temporada nos hospitais por complicações abortivas. Nada disso. Além de que, se morreram ou ficaram com problemas de saúde, é bem feita, não fossem abortar por ‘estados de alma’ ou porque, de repente, lhes ‘apeteceu’ dar cabo de uma vida humana.

O professor Marcelo tem de facto um NÃO extremamente (como diria o maradona) especial. Extremamente. Um NÃO em que a vida humana – a tal vida humana às 10 semanas -- só é um valor a preservar se estiver em causa a decisão da pessoa que é suposta tê-la dentro de si durante nove meses, amá-la e cuidá-la. É de facto um NÃO extremamente claro, e estou muito agradecida ao professor Marcelo por esta clarificação, que é tão tão claramente clara naquilo que recusa.

Simplificando, o professor Marcelo criou um slogan que é o inverso, o espelho do tão odiado ‘na minha barriga mando eu’: ‘na barriga da mulher só não pode mandar ela’.

O professor Marcelo não confia nas mulheres portuguesas. Vidas humanas nas mãos -- nas decisões -- delas, nem pensar. É por isso que o professor Marcelo vota NÃO. É um 'NÃO, não confio nas mulheres'.

Ainda bem que o professor Marcelo explica as coisas tão bem explicadas. É que há gente que vota NÃO que se calhar ainda não tinha percebido porquê -- agora ficou a saber.

Ah, é verdade -- mas isso agora também não interessa nada -- os tais ‘progressistas espanhóis’ querem mesmo mudar a lei e propuseram-no no programa eleitoral. Mudar a lei para algo parecido com o que o referendo propõe, e precisamente porque consideram que a decisão deve pertencer à mulher. Mas para quê informar-se alguém antes de perorar na TV perante uns milhões de portugueses quando pode inventar o que lhe vier à cabeça enquanto fala?

Fernanda Câncio - Glória Fácil

Led

From the “Silverlake/Echo Park music scene”:

Pois é, parece que uma certa cena musical de um certo lado este de Los Angeles que tanto tem brindado o meu entretenimento mais recente já tem uma designação jornalística (a da praxe) e inclui bandas como Autolux, Silversun Pickups, Earlimart , Giant Drag ou Hit Me Back. Hoje mesmo andei com esta nos phones...

Earlimart – We Drink On The Job

Este pequeno tema é o único videoclip que encontrei da banda e é retirado do seu 2º álbum ( "Everyone Down Here", de 2002). Positivo, não? Humm...investigar...melhor...quero...rock....

De qualquer maneira é assim que se vai curando a ressaca de expectativa musical até que venha o novo registo dos Autolux, anunciado no my space oficial do grupo como tendo saída prevista para o mercado discográfico lá para os meados deste ano (Julho-Agosto). Será que escaparão ao síndroma destrutivo de 2º álbum? Esperemos que sim.

E hoje fico-me mesmo por aqui!

Led

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Ideia

O prazer que por vezes nos dá uma ideia com que concordamos, vem-nos da ilusão de que fomos nós que a inventámos. Até porque fomos. Mas só agora o soubemos.

Led

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

22 anos de Stand-up comedy

Led (Tb "gosto de tomar o meu vinho")

Paixão segundo São Mateus

Foto - Nebulosa de Hourglass
A noite corre. Ouço sinfonias para concerto de Bach. Deus fecha os olhos de serenidade a toda a imensidão deste céu glacial e adormece, regressado à sua infância, no seio desta música mais poderosa e divina do que ele. Deus é a invenção do excesso de nós...

Led

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Espaço Mistério Juvenil: Creek (but not from Dawson's)

Quem se lembra, quem se lembra?



Precisamente! A melhor publicidade de sempre para as Levi’s 501!

O nome do clip? 'Creek' (Shrink To Fit. 501. The Original Jean.)

Made in? Europa, Reino Unido ( quebrou-se assim o mito da puritana família Amish numa qualquer paisagem campestre norte-americana).

A altura? Estava(mos) no início de 1994, remoendo o recente luto causado pelo fim abrupto de um época (?) conturbada e fecunda de rock.

A banda? Stiltskin.

O tema? "Inside", o único hit digno de relevo retirado do álbum "The Mind’s Eye" . Mas quantas vezes não tentei eu e muitos reproduzi-lo com a banda da adolescência...

No activo? Recentemente voltaram às luzes da ribalta. O vocalista Ray Wilson fez uma banda nova mantendo o nome inicial e gravaram um segundo disco de seu nome "She"...

O clip em si? Verdadeiramente genial.

Recomendo ainda..? Que vejam o videoclip completo da banda escocesa.

and If you think that I've been loosing my way
that's because I'm slightly blinded

yeah!

Led

domingo, 21 de janeiro de 2007

Os 10 mais

“(... ) Já a escolha de Salazar e Cunhal entre os ‘10 mais’, devo reconhecer que faz todo o sentido e corresponde ao sentimento profundo que uma larga parte dos portugueses tem sobre a liberdade: um bem acessório. Salazar governou em ditadura durante quarenta e tal anos; Cunhal só não o fez porque foi impedido pela parte sã da nação. Salazar fez de nós o país mais retrógrado e subdesenvolvido da Europa; Cunhal tentou o que pôde para nos transformar numa Albânia. Ainda hoje pagamos a factura, económica e intelectual, das suas heranças. Que uma grande parte dos portugueses ache que eles são dos maiores de sempre entre nós explica a razão pela qual somos actualmente o mais atrasado país da Europa. Mas escusavam de nos relembrar isso, com a grande fanfarra de um programa ‘de serviço público’.”

Miguel Sousa Tavares – Expresso(20-01-07)

Foto retirada de : Blasfémias

Led

Chris Cornell - Seasons

Summer nights and long warm days
Are stolen as the old moon falls
My mirror shows another face
Another place to hide it all
Another place to hide it all

And I'm lost, behind
The words I'll never find
And I'm left behind
As seasons roll on by

Sleeping with a full moon blanket
Sand and feathers for my head
Dreams have never been the answer
And dreams have never made my bed
Dreams have never made my bed

And I'm lost, behind
The words I'll never find
And I'm left behind
As the seasons roll on by

When I wanna fly above the storm
But you can't grow feathers in the rain
And the naked floor is cold as hell
This naked floor reminds me
Oh the naked floor reminds me

That I'm lost, behind
Words I'll never find
And I'm left behind
As the seasons roll on by

If I should be short on words
And long on things to say
Could you crawl into my world
And take me worlds away
Should I be beside myself
And never even stay

And I'm lost behind
Words I'll never find
And I'm left behind

As the seasons roll on by


05 - Seasons (Cornell Solo).mp3

Led

sábado, 20 de janeiro de 2007

Babel


Decerto, um filme nunca resultará numa emulação nem sequer próxima do entrelaçado da realidade desde o comportamento das sociedades até à impenetrabilidade da natureza humana. Mas como uma forma de arte por excelência deverá ser esse o seu intuito mais subliminar, ainda que para sempre limitado aos contornos de representação sintética ficcional. Não acompanho por isso esse argumento fugitivo de que se assim não o é, um filme não é viável de ser desconstruído pela crítica se esta pautar por uma comparação com a vida real . Eu penso que esse deverá ser mesmo o legado inevitável que o realizador nos quis deixar com a película. Não tem nada de mal em não inovar, talvez...Depende das perspectivas e das nossas exigências particulares. O sabor dele é o que lá está e o que lá pomos, é o real que é dele e o espírito que é nosso. Mas o pendor reflectivo do filme – mais rigorosamente um romance-ensaio- propunha-se a mais do que repetir ou instrumentalizar velhos cânones e considerações politico-sociológicas. Esta perspectiva torna-se relevante nos protagonistas que “constrói” pois eles tornam-se, muitas vezes, pretextos para o verdadeiro objectivo da obra: a discussão da ideia do absurdo e do ruído que asfixia as nossas vidas. Deste modo, inovar era impreterivelmente o que se esperava do filme e por isso é para mim um desapontamento que na minha óptica o não tenha conseguido. E o filme até é extremamente interessante na sua génese, mas porque raio de consenso divino é não devemos exigir mais? Cada vez acho mais que os filmes de topo e que se propõem a algo mais do que entreter – a isso se chama inovar- devem por isso ser julgados a outros níveis, sendo o foco de análise a comparação com a complexidade do homem e no que o rodeia. Esperava-se com certeza mais pois o conteúdo inelutavelmente oferecia muito por onde pegar. Não se olha e valoriza “Babel” como se o fizéssemos para “Um Polícia no Jardim Escola” ou “ O Dia da Independência”, discute-se e dá-se-lhe outra importância porque ele pretendeu elevar o nível de discussão para os problemas de uma sociedade globalizada, onde a razão já não tem nada para combater e nos deixa pendurados no vazio, sem uma ideologia que nos unifique. “Babel”, pretendia ser um filme importante e inovador a diferentes níveis e os globos de ouro atribuídos – mais do que chamarem a atenção para o fetiche inconfessável de um novo filme do Brad Pitt- assim evidenciaram a singularidade da película. Tentava ser inovador no estilo, num formato mosaico e circular e de tempo fracturado distendido ainda para pontos longínquos do globo, a intersecção de planos remotos que, ao invés de os separar, mais os ligam entre si; Arriscava ser inovador no objecto de análise – a falta angustiante de comunicação e o caos niilista-; Arriscava ser inovador no elenco arrojado, sem protagonistas primários óbvios e direcção intuita – pena que tenha achado as personagens quase totalmente referenciáveis e tipológicas ( excepção seja feita à mini-história de apartamento japonesa, a única que na minha opinião merecia mais destaque e aprofundamento) ; Arriscava comover os diferentes grupos e camadas da sociedade para a dimensão trágica e unificadora da acção – provavelmente até conseguiu mesmo cativar ampla parte do grande público. Mas haverá sempre duas maneiras de olhar as obras de arte, como há duas maneiras de as não olhar. Ou se olham pondo-nos de fora dela ou pondo-nos dentro delas. Só no segundo caso as vemos bem, porque só então nos vemos mal ou simplesmente nos perdemos a nós de vista. Foi assim que eu tentei ver o filme (e sempre), deixando que ele me envolvesse e me absorvesse de comoção. O filme pretendia ser reflexivo como também auto-reflectivo, interrogando-se (-nos) na busca de respostas para o destino da sociedade do século 21, da sua finitude e do absurdo que dela emana, mas também procurava um pathos e um lugar da transcendência de nós num mundo angustiante onde os antivalores imperam . Mas falhou no requisito primordial de uma película, não me atingiu e mobilizou, senti-me sempre de fora e à espera de qualquer coisa incerta e original que demovesse a minha objectividade. O filme era ambicioso e até serve o momento com a sua indiscutível piscadela de olho que faz ao “social”, mas não fica para a história. A arte superior começava aí. Quando a obra realizada viver por si e for incomparável. Não é para estas que servem as condecorações?
Led

Cabala


Como se por vezes houvesse um conluio entre toda a gente, no integrar-se cada um no direito que é seu, nas palavras trocadas quando há necessidade disso, no cruzarem-se na rua, seguros da sua importância, da propriedade de si e do mundo, no simples estar ao pé uns dos outros nos lugares em que se está ao pé uns dos outros – e eu estivesse fora de todas as combinações.
Led

Receita


Se me pedisses a opinião e eu tivesse coragem e credibilidade para te ser sincero dizia-te para deitares fora tudo o que é de exibicionismo sintáctico mais sedutor e metesses na tua escrita livre tudo quanto pudesses de observação, inteligência e profundeza humana. Depois simplificava-a ao máximo e deixava arrefecer. Estaria então pronta a ser servida. Dificílimo aliar os quatro elementos, com certeza. Mas por alguma razão Caeiro era o seu mestre...
Led

domingo, 14 de janeiro de 2007

Long Gone Before Daylight

Do álbum mais ambiental, experimental e obscuro dos The Cardigans (como os cabelos louros tingidos de negro da sensualíssima Nina Persson o poderiam simbolizar), e curiosamente (ou não) o meu predilecto, - Long Gone Before Daylight – trago-vos o videoclip do tema “You're The Storm”, o segundo single retirado do 5º álbum da banda sueca.

Led

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Ex-lamb not sheep

Lou Rhodes - Beloved One

Durante 10 anos , a belíssima Louise Rhodes foi a principal letrista e vocalista dos Lamb, o famoso duo de Manchester que produziu temas únicos como Cotton Wool, Gorecki, B Line, Little Things, All In Your Hands , ou o mais estupidamente difundido em Portugal até à mais maliciosa subversão comercial, Gabriel.

Contudo, e como é conhecido, Lou decidiu separar-se do seu parceiro de produção, Andrew Barlow, para perseguir uma distinta direcção musical – uma que se despia dos intricados ritmos drum ‘n’bass e big beats de cunho “Bristoliano” em favor de um suave folk, alusões campestres, ecos espaçosos, percussão manual, violinos Chineses e guitarras Tuvan.

Gravado numa pequena comunidade rural no sul da Inglaterra (onde a própria reside com os filhos), o álbum conduz-nos portanto pela jornada de auto-descoberta que Louise encetou após saída dos Lamb, trazendo-a de volta à terra mãe e à enraizada espiritualidade hippie tão evidente na candura e sinceridade inocente das sua letras . O resultado é uma audição absolutamente encantadora e serena – uma que personifica o estilo vocal fantasmagórico, delicado e hipnótico que podia ser encontrado nos melhores momentos dos Lamb, mas que se inspira aqui em frágeis trilhos sonoros e melancólicos que nos transportam para paisagens bucólicas envolventes e apaziguadoras. Uma audição calma e contagiante que se vai tornando cada vez melhor à medida que nos deixamos invadir pela sua magia orgânica e terrena, frémitos melancólicos e cadenciados batimentos cardíacos da doce Louise.

É obviamente bem mais simples do que a maior parte das composições dos Lamb (exceptuando o tema Til The Clouds Clear, do último disco), com Lou tocando guitarra acústica durante todo o álbum, apesar de raramente faltar um beat, mantendo ainda o nível de qualidade e envolvência que nem sempre foi constante durante a carreira dos Lamb.

Enfim...um encanto, um verdadeiro hino ao amor.
É Folk...mas não um folk qualquer...ok,...folks? Ohh...Folk off!
Led

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Faces of the Dead

Uma iniciativa interessante do diário The New York Times que, numa animação dividida em pequenos quadrículos, mostra os rostos, nomes, moradas, idade, data de óbito, e todo um sumário demográfico dos cerca de 3000 soldados norte-americanos mortos no Iraque.
Led

domingo, 7 de janeiro de 2007

Lição de humildade


Excesso de confiança (e tranquilidade), efeito Torreense, muita farra e demasiadas rabanadas no bucho por vezes juntam-se e dão nisto...

"Estamos envergonhados. Pedimos desculpa a todos pela eliminação e pela fraca exibição. Não jogámos como equipa. Queríamos ganhar esta competição e fomos eliminados. Os jogadores têm de ser sérios e fundamentalmente jogar como equipa. O Atlético foi humilde e sério... Quando sofremos o golo perdemos tudo: organização, capacidade ofensiva... tudo. A vitória é correcta para o Atlético e para a história fica um registo muito negativo do FC Porto".

Bahh..!!!

Da incredulidade generalizada entre sócios e simpatizantes se verifica que o Porto faz história/record a vários níveis, um deles é fazer manchetes de certos e determinados jornais...

Led

Snowden

Led

Useless

Que triste estar para aqui sem uma razão qualquer, um motivo que a oriente e justifique, nem sequer o desejo de me queixar disso. A passividade, o vazio no alma, a incapacidade de criar uma ideia, encontrá-la numa prega da mente como um grão de pó que nos esquecemos de escovar. Mas estar assim é ser mais inútil do que um animal. Porque esse, onde quer que esteja a cumprir-se animalmente, realiza-se completamente sem margens de disponibilidade, sem se chatear por não saber o que fazer. Sou inútil com um gadanho de uva espremida. E que só talvez sirva para estrume.
Led

sábado, 6 de janeiro de 2007

In Illo Tempore

Mas eis que vens de novo pela avenida fora, deve agora ser Verão. Estou sentado na murada de uma das divisórias do jardim em frente, tu vens no teu vestido vaporoso, sobes os patamares até ao portão de entrada. Mas qual memória fotográfica paralisada no sem-tempo, não te deixo agora subir. Não te movas. Todo o universo cabe no intangível de existires. Imóvel, um pé no degrau, vejo-te o modelado brando da perna sob o vestido, o pé subtil pousado adiante, o rosto doce breve, aberto na sua brandura que é demais para a brevidade do teu ser. Uma luz solar que te inunda, no vago de sonho que transborda de ti. Não te movas. Decerto não existes, não exististe nunca. Minha memória doente. Quanta coisa me regressa na distracção de um cigarro e se dissipa no fumo que nele vem. Mas só o que nunca existiu é que vale a pena existir. Sou eu que te faço existir na obsessão de uma incerta eternidade que é o que está certo para o excesso da minha. Tudo é pretexto para isto que o não é. E então não pode ser ilusão. É bom que a realidade nunca tenha existido. Porque só essa poderia ser ilusória. Toda a beleza tem um além de si. E esse além é que é. Recolhida. Leve. Doce. Uma fragilidade de graça num movimento alado. Mas não te movas. Até que os meus olhos se esgotem no olhar. E a cegueira seja a sua luz.
Led

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Nude (aka Big Ideas – Don’t Get Any)

Mais uma canção que fará certamente parte do novo álbum previsto sair em meados de 2007. O tema, bem conhecido pelos bootleggers e fãs mais próximos e por estes também frequentemente referido por "Big Ideas (Don't Get Any)", é tido como um dos lados –b do OK Computer, canção perdida no tempo, que vem sempre sendo recuperada pela banda em concertos e repetidamente anunciada por Thom como sendo uma provável preterida para um álbum desde 1998, apesar das confissões do mesmo da dificuldade de gravação e adaptação aos novos sons produzidos a partir do Kid A. É especulado que desta vez já se encontra mesmo gravada e que por isso se juntará a um rol de canções novas tocadas nesta última tourné de experimentações para o novo disco. A saber: “Down is The New Up”, “Videotape”, “Arpeggi”, “Spooks”, “Bangers n’ Mash”, “House of Cards”, “Go Slowly”, “Open Pick”, “ 4 minute Warning”, “Bodysnatchers”, “15 step”, “All I Need” e “Reckoner”.

Ah, a canção é mesmo lindíssima e a qualidade desta versão ao vivo em Amsterdão não é nada má!

Bom proveito!

Led