quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Harmony

Recebi um convite, voltei a pegar na velha telecaster sempre deslumbrante, alguém pegou num baixo, outro na voz, e um computador programado no fundo a maquilhar tudo de novas tonalidades. Novas melodias, as histórias trágicas dos adolescentes de sempre. Mas desta feita, sem a euforia calamitosa de um outro tempo. Sentados cada um na sua cadeira e com os instrumentos ao colo, sem disputas imberbes pelo protagonismo, sem o estrépito abusivo e as distracções extrínsecas dos outros tempos, cada um conduzindo o outro pelo que nos tem sido em sensibilidade nos últimos anos. Muita tranquilidade, compreensão e harmonia. Inevitáveis as evocações das longas tardes de verão, de garagem aberta, enfrentando de peito aberto as revoadas do mundo convencional que nos esperava no final do ensaio. Algures num romance perdido contava-se a história de um homem que para o fim da vida passava os seus dias a olhar a parede. Aflige-me a ideia e sinto-lhe o fado. Preciso de fazer música. Sem manias e desarranjo de nervos. Fazer música para nós. Fazer música porque sim. Gravámos 3 canções. Duas instrumentais. Frágeis e suaves como a amizade. Uma chama-se “Summer”. A outra, acabei de lhe dar o nome: “Harmony”. Estamos mais adultos. Felizmente ainda não chegámos lá.
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Led

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Kiss me it'll heal, but it won't forget

Stick your stupid slogan in:
Se abandonarmos por um momento todas aversões, receios, preconceitos e convencionalismos de estilo, este pode bem ser o melhor videoclip do ano. Quem tem a coragem casta de afirmar que nunca foi o infecto do Marilyn Manson por uma noite?

Marilyn Manson - Heart Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)

Led

domingo, 10 de agosto de 2008

Do humor

Hoje em dia abundam os comediantes avulsos e os programas de humor tipo stand-up ou sketch. E deve haver algures alguma teoria freudiana da comédia que tenha chegado à mesma conclusão a que eu cheguei passados 27 anos de inundação televisiva: tal como os charlatões são os melhores transmissores de sinceridade, só quem sabe chorar é que consegue realmente atear o riso alheio até às lágrimas. Por saber rir da sua própria desgraça, muito provavelmente. Por outro lado, quem só soube rir e ambiciona fazer rir só dá vontade de chorar. Normalmente, de pena.
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Led

Ask yourself

Ask yourself if you're happy. You look so serious. Show me a happy man. I once knew a happy man. His happiness was a curse. Fuck guilt. All we need is eighteen inches of personal space. Wisdom comes suddenly. Ignorance is bliss. My eyes have been opened, I can never go back...
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Led

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O Barbeiro demoníaco que canta como um rouxinol

Acabei finalmente de ver o filme “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”. Gostei...mais ou menos. Andei a adiar por uma simples razão bovina. E felizmente para o mundo que não sou crítico de cinema. É assim: sempre prezei mais os irrupções de adrenalina e as tensões emocionais que um filme pode produzir em nós do que qualquer consideração artística que possa ser feita. Não quero assistir a uma obra de arte com o meu óculo diletante, isso é estar de fora. Quero desfrutar integralmente do filme. Física e psicologicamente, se tal for possível. Imaginar-me no enredo e sentir o latejar das personagens. Sofrer como elas, se for caso disso(mesmo sem recurso a auxiliares da imaginação, vulgos narcóticos). É que há algo que tenho de confessar vergonhosamente sobre Tim Burton e os filmes dele... Amo o conceito do conto fantástico tão peculiar ao realizador, as atmosferas góticas, o humor negro e as temáticas sombrias. Faço orgulhosamente parte da geração do “Eduardo Mãos-de-Tesoura” (não do outro...), “Beetlejuice” e do primeiro “Batman” de 1989. Rejubilei com o primeiro “Planeta dos Macacos”, “Sleepy Hollow” e principalmente com o “Big Fish”. Infelizmente fico-me por aí no cardápio deste senhor estranho de cabelos negros ripados e óculos escuros. Confesso aqui perante este vasto auditório: Não suporto musicais. Excepto o “Once”, mas este não é um musical típico. Para mim, canções, cançonetas, modinhas, e coreografias folclóricas actuam como empecilhos dispensáveis no fulcral de uma obra que quer ser levada a sério nem que seja pelo seu humor. Bem me tentei esforçar para conseguir ultrapassar essa barreira obrigando-me a assistir ao “The Nightmare Before Christmas”, “Charlie and the Chocolate Factory” ou o “Corpse Bride”. Desculpo o primeiro e o último porque são filmes animados e portanto irremediavelmente colocados num departamento à parte. Mas não consegui gostar de nenhum suficientemente. Com aquele “suficientemente” crucial que nos deixa a pensar no filme durante a noite e dia seguinte, ou para a vida toda (os grandes filmes...já falei do Donnie Darko?). Nem com as clássicas artimanhas de descer o volume ou passar as cenas musicais à frente - é forçar demasiado a barra da paciência. As melodias e as danças desvairadas acabam por me impedir de transpor para o universo fictício e fabuloso do filme. E foi isto o que concluí do “Sweeney Todd”... Vinganças longamente prometidas e acalentadas por um ódio visceral, confere. Tesouras e navalhas afiadas e muito sangue jorrado, confere. Noites sombrias e nevoeiros cerrados, confere. Johnny Deep, confere. Cançonetas e lérias que tais, passo. Tenho dito. E agora vou ver o Family Guy e ser estúpido por mais uma noite.
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Led

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Angel with the scabbed wings

A “vida malvada” dos últimos dias trouxe-me de volta a um caminho musical inesperado. Regressei (espero que por breves momentos) à bizarria de uma fragmento da adolescência ao reciclar a discografia do Brian Warner (aka, Marilyn Manson). Desde o nojo visual e caótico do “Portrait of an American Family” (1994) até ao nojo opulento do sexto e último álbum “Eat Me, Drink Me“ (2007) ”. A verdade verdadeira é que, diga-se o que se quiser do ser vivo em questão, Marilyn Manson conseguiu sempre manter acesas as luzes da ribalta e da polémica. Com mais teatro ou encenação, com deuses humanos, insectos, minhocas, mecânicos ou anjos da destruição, com mais actrizes porno ou modelos fetiche, ou reverendos satânicos e colecções nazis, toda a miscelânea informe da sua vida pública será para sempre indissociável da sua concepção de movimento artístico a que designou em certa altura de “idade de ouro do grotesco” : the more you hate him, the more he loves you”. Por mim, fico-lhe meramente grato pela contribuição musical que foi o disco mais conceptual e marcante da sua carreira, “Antichrist Superstar” (1996). Com a produção do próprio e de Trent Reznor, a qualidade dos temas (aqui manifestamente marcados pelo metal industrial mais gótico) é francamente assombroso. Inspirado em Nietzche, o disco conta a história em 3 capítulos/ciclos de uma pessoa inerte e abusada (“The Worm”) que se vai transformando (metamorfoseando, para usar os conceitos do disco) numa celebridade influente e finalmente se converte no poderoso “desintegrator” (o tal de “anjo” ou “anticristo”) que acaba por ser condenado à morte pela sua comuna numa cerimónia de apedrejamento público (“The man/monster that you fear”).

Esta é apenas uma das muitas interpretações do disco, deliberadamente vago, para suscitar polémica e embaraço na comunidade (ainda me lembro de em 1998 membros da opus dei terem pago bilhete no atlântico para poderem protestar contra a presença da figura em terras lusas....bons tempos...quando ainda havia coisas que chocavam...). De qualquer modo, controvérsias à parte, este parece-me ser o disco mais coeso e melhor produzido pela banda até à data. Aqui fica portanto uma lembrança desses tempos com o tema mais representativo e violento do disco no pleno apogeu do desintegrador. Prometo regressar ao conforto colorido do indie um dias destes...

Marilyn Manson - The Reflecting God

Led

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

...dream asleep in the sand with the ocean washing over


Jeff Buckley - Dream Brother

As incontáveis vezes que tentei fazer um cover decente desta canção simplesmente genial...haverá aspiração mais estúpida no "rock" do que tentar fazer covers do Jeff Buckley?
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Led

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dream brother with your tears scattered round the world

Por vezes, esta exaustão insuportável que nos dá o peso colossal de nós próprios. Tão difícil por vezes controlar as sombras da nossa mente assim que as deixamos instalar nos interstícios do pensamento superficial. Insidiosas, sorrateiras, manipuladoras... Como desejava por vezes deixar-me seduzir pelo gosto canino da obediência. Em face do pavor incontrolável que é sabermo-nos vivos vivendo e não conseguirmos vencer este silêncio maciço que esmaga o escuro de terror quando todo o ruído exterior cessa, entende-se. O mistério que cava de um sentido obscuro tudo quanto nos rodeia. Percebe-se porque tantos se entregam em absoluto a uma causa ou ideologia ou ideia... Para sustentarem os sinuosos fios que os mantêm em pé. A morte é a disciplina mais difícil de aprender, já o disse alguém. Que não faz parte de nenhum manifesto político, económico ou científico ou o mais. A sua morosa aprendizagem é uma aprendizagem sem instrutor. O pedregulho enorme de mudez que a tudo submerge quando todo o alvoroço cessa. O drama do homem será sempre o de querer preencher a sua alma, ilimitada para além da sua decorada medida animal. Como lhe contestar a imortalidade? Em face de quem ou o quê o estúpido remate e a sua significação? Um deus ou um desígnio que nos tome nas costas o encargo do livre arbítrio de estar vivo – e nós expiaremos em sonhos de infinito.
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Led

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ficção

O passado legendário indecifrável que se evoca por vezes do sem-fim da memória. Desdobrado de sensibilidade fina no seu enigma do nunca mais. Espaço da irradiação de uma toada para sempre perdida. Imenso como o seu céu longínquo e incorpóreo. Entremeado de sombras como uma alegria morta. Sereno como um profundo esquecimento. Vertiginoso como uma distância que se esfuma. Plácido como o seu sorriso triste. Belo com um adeus.
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Led

terça-feira, 22 de julho de 2008

Verão de Praga

Não, isto ainda não morreu. Simplesmente andei ali pelo centro da Europa a inventar um desculpa profissional para sair do país, fui ainda comer uma pizza a Milão e fazer umas cócegas à cortina por Praga, regressando ontem à modorra lusitana. Para vossa infelicidade e a minha, estou mesmo de volta.
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Ainda sobre a cidade de Kafka que foi o que de mais relevante me ficou das mini-férias, que cidade de uma beleza incrível! As pontes, o rio Vltava, a cidadela do Castelo, os mosteiros, as sinagogas e igrejas...todo e qualquer edifício conservado com a sua história e a sua matriz arquitectónica, quer ela fosse gótica, renascentista ou gótica. E aquele céu pincelado em tons de azul, laranja e rosa num fim de tarde por cima da ponte de Karlov, deslumbrante! A única mácula de Praga foi mesmo ter-se rendido em demasia aos confortos de uma economia de turismo. Excesso de gente colorida e de câmara em punho. E depois existe sempre a outra "praga" que são os grupos de ingleses bêbados e arruaceiros e para sempre investidos de uma arrogância histórica de conquista e subjugação. Mas voltando à história, que milagre imenso foi esta cidade (ao contrário das restantes cidades capitais dos estados satélites da URSS) ter saído ilesa dos conflitos do século XX! Foi surreal estar na avenida onde o “miúdo” Jan Palach se imolou contra a ocupação soviética. E assim se confirma, mas tragicamente, que o colossal embuste do comunismo não era a promessa de uma nova era, mas o fim da última ilusão de um período de milénios. Agora, limpo o limiar de todo o sangue derramado, seria talvez a altura de nos quedarmos aí e tentarmos decifrar o que se segue e o que significa a existência actual de um partido com esse nome.
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Led

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Have you?

Explosions In the Sky - Have You Passed Through This Night?
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This great evil - where's it come from?
How'd it steal into the world?
What seed, what root did it grow from?
Who's doing this?
Who's killing us?
Robbing us of life and light...
Mocking us with the sight of what we mighta known...
Does our ruin benefit the earth, aid the grass to grow and the sun to shine?
Is this darkness in you, too?
Have you passed through this night?
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Led

Rock in Rio, no nos tomes el pelo!

Pela primeira vez tenho prazer ao ler um espanhol zombar de um evento com algumas reminiscências lusas. Aqui!

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Led

terça-feira, 24 de junho de 2008

Heil!

Espero que os meus caros amigos benfiquistas não levem a mal por voltar a este assunto amargo e penoso (e sei que a maioria vai achar alguma piada, com excepção do José Pinto-Coelho), mas encontrei esta pequena sátira ainda há pouco na blogosfera e foi impossível resistir...
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Já vos ouço a praguejar ...e desta vez com toda a justiça, diga-se em abono da verdade. Prometo tentar não voltar a isto tão cedo...mas vai ser complicado, está aí época luminosa das contratações megalomaníacas.
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Led

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Porco doce

Cerca de 88 mil pessoas morreram ou desapareceram no sismo de 12 de Maio, que foi o maior a atingir a China em três décadas. Mas o que é mesmo notável é que um...
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Ãhh?
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Led

The dark side of Crocodile Dundee

Finalmente vi este filme, deu ontem na TV. Não é nenhum Massacre no Texas (o de 1974 ou o de 2003), mas vê se bem, sim Sr.!
Para quem ainda não viu (o filme já é de 2005), recomendo-o para toda a família.
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ps: não se deixam enganar pelo trailer, o filme é melhor do que o cliché adolescente aparente.
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Led

domingo, 22 de junho de 2008

"O meu Mercedes é maior que o teu”

"Não temos que procurar grandes diferenças em relação ao PS. A principal diferença é metermos todos na cabeça de que o PSD é o partido mais importante do pós-25 Abril."

Rui Rio, no congresso do PSD.


Ok...mas ultrapassemos a partidarite aguda e a retórica grandiloquente do cavaquismo, passemos adiante a anedota sobranceira e aproximemo-nos (quem sabe) do presente: O que é, onde está e para que serve este PSD?
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Led

Bip- Sunday scheduled warning – Psychedelic reverberations included in the post below - Bip




Nine Inch NailsThe Four of Us are Dying

ps: para ouvir imediatamente, carregar no link incluso na canção.
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Led

sábado, 21 de junho de 2008

Os anjos são monóicos

Depois da previsível esfrega ao Scolari, Ricardo e Paulo Ferreira, chegou a vez da discussão utópica e inútil da soirée: Será preferível educarmo-nos primeiro para modificarmos um país em seguida, ou modificarmos um país para que nos eduquemos em consonância depois? A distinta maioria presente (velhos aristocratas republicanos neorealistas e socialistas “do amanhã que não chega”) respondeu que mudava-se primeiro o país, signifique isto o que significar. Depois de uns breves instantes de perscrutação pela plateia, a alma penada escondida no canto da mesa redonda (de seu nome: ele) envolvia-se na contenda com o máximo de eloquência profética que se sabia capaz:
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“- Bahh! Emigração, pá! Sair deste buraco fétido de uma vez!!”
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Não acreditava no que defendia mas o facto é que ninguém se insurgia. Silêncio pesado... Seu irmão abanava a cabeça de desprezo reaccionário. Por seu lado, ele espumava de prazer diletante. O seu momento.
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Entesado de confiança balofa, apreciou o embaraço durante uns segundos. Em seguida levantou-se demoradamente e, com os olhos presos ao tapete persa, abandonou suavemente a sala e o fumo fidalgo dos charutos. Pegou nas chaves do carro.
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Foi-se embebedar.
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Ledbetter in : Contos impossíveis - antevisão melodramática de um certo sábado à noite.
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Led

quarta-feira, 18 de junho de 2008

...or death and all his friends

Ando para falar do último álbum destes senhores (os centésimos “próximos Radiohead” da história da NME que afinal não o foram e ainda bem) há algum tempo. Mas ainda estou na fase de degustação preambular, é que custa um pouco a entender o disco como um todo. De qualquer maneira, para desapontamento da minha tradicional má fé e depois de audição do trivial primeiro single (“Violet Hill”), confesso que as audições integrais ao disco me deixaram bem mais entusiasmado. O colorido disco, cheio dos habituais temas pop-rock sumarentos que até as mães gostam, parece-me estranhamente interessante e arrisco mesmo já a dizer excelente. De tal maneira que até o habitual inquisidor moral de tudo o que atinja um nível comercial (Pitchfork) acabou por dar um 6.5/10 ao disco. Nem me peçam para mencionar que, no plano oposto do exagero patriótico, a NME classificou-o com um 8/10. Ainda assim, parece que finalmente o agora quinteto britânico arranjou um produtor à altura das suas capacidades (Brian Eno) que transformou/revolucionou (como a capa deixa subentender) quase por completo o som da banda (saturadíssimo à altura do X&Y) com recurso a muitas experimentações bem sucedidas. Notam-se bem as influências de um antigo David Bowie, Arcade Fire (até porque muitos temas foram igualmente gravados em igrejas), My Bloody Valentine, U2 (como sempre, na guitarra do Buckland) e mesmo Peter Gabriel. Temas grandiosos, espaçosos e cheios de luz, que é mesmo o que nós andamos a precisar. Ainda não encontrei as tão mencionadas influências hispânicas no novo som (só se for pela localização geográfica das gravações) e o que notei mesmo foi o recurso a muito equipamento sonoro sintético que contribuiu para um novo enchimento e grandiosidade (muito glam e exótico, ao mesmo tempo) sem apagar a marca mais desartificiosa característica do conjunto londrino. De qualquer maneira, “Cemeteries of London”, ”Lost!”, “42”, "Chinese Sleep Chant" (tema escondido da faixa "Yes!"), “Lovers in Japan” (aposto como terceiro single) ou “Viva La Vida”, são mesmo excelentes canções! A EMI já não precisa portanto de chorar mais o luto dos Radiohead pois têm aqui um disco que lhes vai satisfazer por completo o apetite monetário para este ano e o próximo e o próximo...

Coldplay - 42
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Led

Espeleólogo da memória

Não passes mais na minha memória, não passes. Sossega-te no sem-fim do lembrar. Para invenção de ti nas horas difíceis de desapego ao impossível que está sempre na memória estúpida sem explicação. Não há realidade no real que relembro, porque essa realidade está na minha imaginação. Repousa no teu nada, deixa-te estar. O que escrevo não foi, é o absoluto do meu devaneio. Esfuma-te na balada de eterno e sê lá só a ficção de ti. Que a névoa que te trouxe te leve de novo para sempre. E a melancolia que nela vive seja a razão verdadeira de te esquecer.
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Led

terça-feira, 17 de junho de 2008

O remorso depois da fornicação

Que estranha esta sensação de sujidade e culpa depois de falar de futebol ou de política ou do mais que envolva subir a um púlpito para pregar as minhas ideias plausíveis e para uso doméstico e discussão transaccionável e sempre estimável nos intervalos da atenção. Para termos uma reputação pública nos sítios privados onde ela se fabrica e para sermos brilhantes como nas reuniões com gravata. Porquê exactamente? Não o sei. É o preço a pagar por tomar partido seja do que for, vais dizer. Agora aguenta o peso do ridículo. Deve existir um limite moralmente tolerável em alguma parte do meu ser que é ultrapassado quando falo em demasia seja do que for, cheio de urgência em aliviar a carga. A cedência à parte mais grosseira e animal, e ter satisfação nisso enquanto é tempo de o satisfazer. Culpado por qualquer coisa. Culpado por existir.
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Led

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A única parte interessada


O triunfo da verdade sobre a rapinagem.
Vai haver muita gente aborrecida.
Tanto melhor.
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PS: A reacção cobiçosa prevista: "Reparação integral dos danos sofridos"? Intervenção do “Estado Português”? Tão, tão degradante... Se esta não é a atitude mais desonesta, indecorosa e rasteira de um infeliz quarto classificado, então vou ali e já venho. E vou mesmo. Mas não volto.
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Led

domingo, 15 de junho de 2008

Enough of Radiohead…what about Radiohead?

Eu sei que ando a saturar o blog com estes geeks de Oxford, mas não consegui resistir. Estes períodos intensos Radiohead anuais costumam durar semanas até atingir a fase final da paranóia e de não me restarem alternativas mais saudáveis do que ir ouvir...Radiohead.
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Vamos lá então todos cantar o hino, que hoje é merecido.

Radiohead - The National Anthem (Live in Paris, 2001)
Toparam o sarcasmo?
Sou tão inteligente.
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E ridículo.
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Led

sábado, 14 de junho de 2008

Do regresso

Está-se uns dias fora e logo se desenha a expectativa ingénua de que o país esteja mais maduro e sério no regresso. Puro delírio que se esbate imediatamente ao ligar a televisão, jornais ou rádios. Que fadiga imensa... Neuchâtel. É nesta palavra repetida até ao vómito que o país tem estado suspenso nos últimos dias. Greve, petróleo, raça, Ronaldo e Scolari são os termos seguintes. Directos inúteis, entrevistas despropositadas, cânticos inchados e dedicatórias patrióticas de ocasião para sublimar o histórico complexo de inferioridade. A imprensa equipara-nos no grau de bovinidade passiva e nós acenamos afirmativamente à invasão. Muito pouco sobre a nega irlandesa à ratificação a um tratado que parece ser crucial mas que ninguém ainda consegue decifrar senão os habituais críticos de lábia fácil e os profetas da desgraça. Faltam os fogos periódicos para completar o ramalhete carnavalesco. Alguma vez encontraremos a harmonia? Desisto de tentar perceber. Vou colocar os phones nos ouvidos, cerrar os olhos e desandar daqui mais uma vez.
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Led

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Radiohead - Bercy (09-06-2008)

Uma semana impecável em Paris, as reflexões sobre uma cidade, que mal conhecia até então, talvez para uma post posterior. Quanto à "gig":
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3º concerto da tourné europeia.
Casa cheia – cerca de 15 mil pessoas
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Setlist:

01. All I Need ( Melhor intro só mesmo com a “Subterranean...” seguida da “Airbag”…)
02. There There (Thom: “Ça va?” Ça va très bien, merci!)
03. Lucky (I felt so…)
04. Bangers + Mash (Rock, rock, rock)
05. 15 Step (“Fifteen steps, then a sheer drop”, e nós respondemos em uníssono “- hey!!” Continua a ser o melhor tema do último álbum, para mim)
06. Nude/Big Ideas (pausa para o cigarro melancólico e para as grandes ideias)
07. Pyramid Song ( e nós deixamo-nos arrastar no enlevo vaporoso)
08. Weird Fishes/Arpeggi (Som um pouco saturado, sente-se na estrutura metálica do pavilhão)
09. The Gloaming (Explosões de cor nos tubos cilíndricos...“They will suck you down to the other side...”assombroso tema com a intrínseca viagem pelo “túnel de vento” do devaneio...ri-te Nuno, ri-te... )
10. My Iron Lung (regresso a uma época em que ainda “acreditávamos”... ri-te Nuno, ri-te...)
11. Faust Arp (apenas o Thom e o Jonny nas guitarras acústicas, só para envergonhar os Kings of Convenience)
12. Videotape (Continuo a preferir a antiga versão ao vivo desta canção... assim está muito lenta e o crescendo é quase imperceptível)
13. Morning Bell /Amnesiac (Please, release me...)
14. Where I End and You Begin (Thom: “Thank you darling, I love you too.” )
15. Reckoner ( Estranho o tom de voz do Thom, mais grave do que o habitual)
16. Everything In Its Right Place ( E era mesmo assim...)
17. Bodysnatchers (Rock, rock, rock para acabar)

Encore1:

18. Exit Music (For A Film) (Alguns zumbidos desnecessários durante o tema, culpa do pavilhão! O Thom pede às pessoas nas filas da frente para se chegarem a trás.)
19. Jigsaw Falling Into Place ("Come on and let it out!" Palco completamente "in rainbows")
20. House of Cards

21. Paranoid Android (Thom: “This is for the people in the back!” Nós gritamos de gratidão pela atençãozita. E depois pumba! Uma entrada em falso na canção! No final o público rejubila e Thom responde "Thank you so much,I feel better now".)
22. Street Spirit (Fade Out) (Palavras para quê?)

Encore2:

23. Like Spinning Plates ( Lindíssima, não é?)
24. You And Whose Army? ( Bestial... o efeito criado pela câmara individual do Thom (sim, aquela do vídeo da “Jigsaw...) durante o início da música, intercalando planos da sua cara com o Jonny no fundo, desembocando no refrão em múltiplas imagens da cara do Thom. Muito bom!)
25. Idioteque (Thom: “Thank you . Bonsoir.” Final mais psicadélico era impossível...)
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Para os geeks sem vida própria (como eu), uma repartição dos temas pelos álbuns:

Pablo Honey : Nada.
The Bends : 2 canções (10 e 22)
OK Computer : 3 canções (03, 18 e 21)
Kid A : 2 canções (16 e 25)
Amnesiac: 4 canções (07, 13, 23 e 24)
Hail To The Thief : 3 canções (02, 09 e 14)
In Rainbows : 11 canções (Todo o primeiro álbum + 1 canção do cd2):

Pontos altos : todo a performance; a melhor setlist que vi desta tourné até ao momento; o terem tocado a Paranoid em vez da Karma Police; a The Gloaming partiu-me mesmo todo...)
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Pontos baixos : definitivamente a minha localização no pavilhão, se bem que até se via razoavelmente todo o palco.
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Em "résumé",
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Maravilhoso!! E os meus companheiros sabem bem que não exagero (link1, link2)!
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Imagens aqui ou aqui.
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Led

sexta-feira, 6 de junho de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Fuck...

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E pronto, depois de tanto queixume à FPF as pretensões do Benfica estão finalmente satisfeitas. Santa mediocridade...
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A matilha juntou-se para atacar o maior e a sociedade civil respondeu afirmativamente. A cascata de eventos com vista a destruição de um clube está portanto principiada com a saída já anunciada de vários jogadores do plantel dependentes até à altura das decisões da UEFA. Sim, Lucho não se vai aguentar. Mas o mesmo caminho tomará certamente Quaresma e Lisandro quando se depararem com a falta de grandes objectivos e de visibilidade na época 2008/2009. Sem estes 5 jogadores (acrescentando Bosingwa e Paulo Assunção), não sei mesmo o que restará de uma equipa para o próximo ano.
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Que tirem então todos muito proveito. À SAD das corjas, ao Benfica pelas mãos de LFV, à FPF pela desonestidade. Desejo-lhes a pior das sortes.
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Gostava de saber porque é que a retroactividade de uma lei penal (conceito jurídico já de sim aberrante) só funciona para alguns clubes. Alguém me explica porque participou o Milan na última edição da liga dos campeões? Alguém me clarifica se a Juventus irá participar na próxima edição?
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Agora é esperar para ver o processo crime desdizer o processo disciplinar quando a decisão da UEFA já se tenha tornado irremediável. A presunção de culpa ao invés da presunção de inocência é o melhor exemplo da verdadeira república das bananas em que vivemos.
iEstou inconsolável.
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Link do desespero.
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Led

terça-feira, 3 de junho de 2008

Summer



Velveteen - Summer of 88

Led

"Para além da realidade imediata não há nada"

E um súbito rumor de brisa na vidraça abre em espaço a solidão da noite. Para lá dos cortinados, da janela fechada, adivinho a cidade submersa, o vulto solitário dos candeeiros vagueando pela bruma, a febre cega de destinos sob um céu sem estrelas...
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Led

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Tempo de vacas magras e de lobos famintos

“A participação de Manuel Alegre numa iniciativa do Bloco de Esquerda é um direito de cidadania que não se discute, mas a participação de um deputado do PS em acções que contestam o seu próprio partido, deixa de ser um direito à diferença para se tornar numa contestação política concertada com forças concorrentes.
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Há aqui um afrontamento ao PS, independentemente das razões substantivas das divergências, afrontamento que faz parte do legítimo combate político mas vedado, por razões de solidariedade institucional, aos membros do grupo parlamentar.
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Manuel Alegre é uma referência da luta contra a ditadura, um intelectual de grande dimensão e um político cuja vida se confunde com a militância partidária. A sua saída seria uma perda para o PS mas a sua hostilidade é uma perda para si próprio.
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No período conturbado que se vive, em tempo de vacas magras e, possivelmente, com dias piores que se avizinham, é fácil ser popular criticando mas difícil ser credível sem alternativas que é urgente apresentar.”

Afixe-se.

O resto da post aqui.
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