quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Flutuo

O regresso ao trabalho e o consequente apelo agudo para a demissão disto tudo. Vontade de escrever, de ler, de ouvir, de amar, de estar vivo – Aí... longe. A noite que mergulha pela janela do tecto, o rumor do vento quente e a cumplicidade das sombras a envolver o halo onde se começa a ser mais humano...

Para desequilíbrio da minha harmonia interna musical repleta de cismas e estrangeirismos, lá cedi com uma réstia de humildade a uma canção ( e quase ao album) cantada em português e que, à custa de tanta repetição se vai degradando na rádio até à aridez habitual... Resta saber se no fim consigo manter a ilusão de alguma dignidade.

Porquê não sei... (ou sei embora não me apetecesse muito racionalizá-lo) mas comovi-me com a honestidade simples do tema, com a sequência de palavras cantadas que o vão definindo e com um vídeo excepcionalmente bem conseguido. Merece a pena. Simplicidade. Uma paz. Beatitude. Ascensão até à iluminação comovente.
Ouvir bem não é ouvir bem mas sentir bem.
Oh...mas para quê justificar o meu mecanismo de sentir!
No fim de contas, metido na engrenagem da estrutura, não se é livre.
Sorrir por dentro ao que é simples e belo.
Que estou a dizer?

O link.

Led

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Inbetween

Entardece devagar. Por entre as poucas nuvens, o Sol brando do Outono que aí vem. Uma melancolia vaga poisa lenta nas coisas, procura incerta a razão de ser triste. E o signo da juventude perene que aí se inscreve...

Led

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

The Empire State

Times Sq 42 St

(Naked Cowboy)

Decidi colocar mais duas fotos das seleccionadas para referenciar a Big Apple, a cidade do tudo em excesso. Em breve também postarei algumas sobre o estado do espírito da América, Massachusetts e a sua capital, Boston. Quanto às fotos em si..não me perguntem porquê, mas de vez em quando preciso de colocar um pouco de ridículo aqui talvez para me demarcar com erudição ...Duvido que queiram saber mais sobre a “distinta” figura texana da Times Square que tantas vezes ia disparatar para o igualmente disparate medíocre e confrangedor e antro de freaks televisivo e radiofónico do Howard Stern , mas mesmo assim aqui fica a ligação para o seu site oficial.

Wondering where’s MJ, Peter?

How come my youth’s main comic superhero turned into this tramp…?

Financial District from Brooklyn Bridge

Wall Street facing Trinity Church

E Pluribus Unum

Central Park

448m and 102 floors

9/11

(With the “typical” Portuguese breakfast, right Alex?)

Lost..." somewhere nice, where the land meets high tide…”

Resurrection

Then again, Ressurection...

Led

Radiohead : Marlay Park / Dublin 24/08/06

I go
Where I please
I walk through walls
I float down the Liffey


Com apenas dois dias de permeio entre a longa viagem que me trouxe de Boston até aquela que me levou de novo à ilha dos duendes verdes, da cremosa stout e dos arco-íris em céus pardacentos, dou conta da fugacidade das minhas férias quando me deparo com os acordes iniciais de Airbag…estou prestes a iniciar apenas o concerto mais aguardado do ano…

Sem querer entrar por uma análise muito detalhada dos 115 estonteantes minutos da música mais absorvente e alucinada que podem ser presenciados ao vivo, apenas uma constatação final : os Radiohead são, sem alguma dúvida, a banda rock (?) que produz o som mais refinado e envolvente desta complicada actualidade. Exímios na metamorfose de um espaço com 20 mil almas ruidosas para uma atmosfera de intimismo e de confidência das experiências sonoras e visuais mais vertiginosas, eclécticas e profundas que podem ser produzidas por 5 artistas num palco de espelhos partidos. A desmontagem, a decomposição do rock como género e público alvo. Mas também a desconstrução de uma sociedade ocidental doente em que o quotidiano, tomado pela tecnologia e padrões neuróticos de consumo e comportamento, é um completo desastre emocional. Tudo isso se respira ao vivo, os perigosos antagónicos: a energia e a depressão, a dor e o prazer, a melodia e o ruído, o vazio e a aparição.


Fazer música não é ficar aquém daquilo de que se ouve, mas transpor, em íntima vibração, o limiar do mistério que estremece no coração de tudo – de um ser humano a uma pedra. Não é justapor a minha comoção à música: é ser comovido nela, é descobrir nela a vibração misteriosa que me há-de envolver. Em que medida são inúmeras, não decerto as emoções, mas a forma de as despertar? Eu não o sei, mas eles certamente devem estar perto da fórmula.

Só mesmo vivido para acreditar.

Bandas de Suporte : Deerhoof (não vi) , Beck

A canção da noite: Climbing up the walls (simplesmente divinal)

O melhor do melhor da noite: Lucky, Like Spinning Plates, Nude, Idioteque, Paranoid Android, How To Disappear Completely ; a companhia...

A surpresa da noite : Creep a terminar (terá Tom Yorke ultrapassado o seus históricos demónios interiores em relação aos “hits”? Parece que sim.)

As novas: Videotape, Nude, All I Need, Bangers N’ Mash

A comédia da noite: A sátira protagonizada pelas marionetes de Beck

O pior da noite: As dores que me torciam o pescoço e as costas e a distância em relação ao palco


Setlist Completo

01 Airbag
02 2+2=5
03 The National Anthem
04 My Iron Lung
05 Morning Bell
06 Videotape Unicron
07 Nude (Big Ideas)
08 There There
09 The Gloaming
10 Paranoid Android
11 All I Need/Analyse
12 Pyramid Song
13 Climbing up the walls
14 How to Disappear Completely
15 Just
16 Lucky
17 Idioteque

Encore 1:

18 Like Spinning Plates
19 Bangers 'n Mash
20 Karma Police
21 Everything In Its Right Place

Encore2 /Pausa Breve:

22 Creep

Uma lembrança desta noite maravilhosa:



Videotape (live)

Led

sábado, 5 de agosto de 2006

Rusty Wheels

“To my desk:
I leave you my patchwork back cushion you were always so fond of. In our day we were never designed as ergonomically as today’s office furniture. I just can’t compete and my old rusty wheels just won’t take the place anymore. Remember me my friend when your own Bafo chair arrives in Monday morning.”

Led

Nacreous Cloud

… a nacreous cloud forms 20 kilometres above Australia's Mawson station in Antarctica.

Link

Led

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Like Spinning Plates

Led

Soluço

Em todo o caso o redemoinho bate-te à porta. Guerra, ódio, sangue, a técnica e a ciência e a religião e a história ou a falta dela ao serviço do crime, e do culto obsessivo do corpo e do ego, bombas atómicas ou biológicas, demanda obstinada e feroz pelo ouro negro, e o fanatismo ideológico, e o racismo selvático, e as valas comuns, e o sexo descabelado e progressista instalado no novo convencionalismo de pedagogia americana despachada, e a impregnação violenta do cérebro pela imprensa, rádio, TV, internet, redução do mundo a um palmo de terra destrutível pelo capricho de um homem, e a incorporação em comunidade para sermos menos eu e mais nós cheios de intrepidez e positivismo quanto baste para a firmeza de princípios e opiniões para camuflar a cobardia e a estupidez e a indisponibilidade intelectual, e a intolerância crescente do planeta marimbando-se para tudo e para todos, fome, superpopulação, catástrofes naturais, doenças esquisitas, efeito de estufa, aquecimento progressivo global, destruição de todos os valores, morte da Europa, regresso ao primarismo tecnificado, raiva e aniquilação de todas as artes e sensibilidades e fraquezas, e o medo, e a morte por aprender, e o amor de agenda e centro comercial, e a angústia, agonia de toda uma civilização em escombros com abismo a olhá-la bem de frente. A suspensão no susto, a impensibilidade. O vazio. Acreditar no impossível. E não porque esse impossível de hoje possa ser o real de amanhã, mas porque acreditar no impossível é não o realizar nunca, mesmo que se realize. Que fazer quando nem sequer se pode realizar?

Esquece entretanto . Que te interessa tudo isso? Sentado no escritório- esquece. Dissipa-te no apelo da noite. Nos espectros nocturnos de uma alegria ida nesta cidade morta....Esquece....

A palavra. O regresso a ela e a tudo o que vem nela – a única realidade disponível. Contra o real que a desmente, contra o sorriso e o enfado ciumento e despeitado dos que a ouvem.

Entretanto esquece.

O vento...e espraiado nele, a memória de uma ribeira longínqua abandonada...E uma pequena melancolia intersticial, fumo-a . A vida existe e tu és pleno de ser. Agora, agora.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Jeff Buckley: The Film

Jeff Buckley's life story is set to become a film.

It will be masterminded by writer/director Brian Jun (Steel City). Jun is collaborating on the project with Buckley's mother Mary Guibert, who is producing the biography.

It will be the second time a biopic has been attempted. Last year, the writer/producer Train Houston secured the rights to 'Dream Brother: The Lives & Music of Jeff & Tim Buckley', the book by David Browne.

This event spurred Guibert, who controls the rights to Buckley's songs, to start her foray into the movie world.

"Over the years, the number of offers were unceasing," she said. "I had resisted for so many reasons, one being that Hollywood, traditionally, did a lousy job of realistically portraying the life of people like Jeff. But the possibility that it could happen without my participation set me back to re-examine why I wasn't doing it."

Seeing films like 'Ray' and 'Walk The Line' convinced Guibert that "the time was right to have a project where integrity could be built into the script and that we could wrangle it so that it didn't get co-opted or changed in getting to the screen".

Reuters reports that the film will play on Buckley's relationship with his father, singer/songwriter Tim Buckley, who died in 1975.
Co-producer Michelle Sy said: "It is really about how music is so much a part of this person's identity, and there are so many ironies in his life. For example, he was constantly being compared to his father, but he only met his father twice. He had the trajectory of someone who gains a certain amount of success in a short period of time, and there (are) some downsides to that. And it was music that guided him through that."
It is not known who will be cast in the role of Buckley.
Source : NME

Led

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Band Aid - Oh God, If Only Life Was That Simple

Link

It's a fragile world out there ...

Led

Coexistence

Link

Led

Silverchair Comeback

Estão de volta!

Em novembro de 2005, os Silverchair confirmaram rumores que estariam juntos a ensaiar temas antigos. Recorde-se que após a saída do seu quarto album – "Diorama" - de 2002, e a consequente tourné mundial de 2003 - “Across The Night Tour” ( de que eu fiz parte!:)) – o trio australiano entrou num hiato indeterminado continuando cada membro a trabalhar em projectos paralelos. Destes, e conforme aqui fiz menção na altura, o mais famoso foi naturalmente o do vocalista Daniel Johns que se associou ao amigo, produtor e artista de música electrónica Paul Mac com resultado no projecto (bem sucedido na minha modesta opinião) “The Dissociatives” , de 2004. Contudo, desde 2003 que a banda tinha vindo negar rumores acerca de uma separação definitiva mas a indiferença entre os membros e o sucesso crescente do projecto “The Dissociatives” deixava os fãs dos Silver muito apreensivos. A resposta do grupo à ansiedade crescente tomou corpo já antes do início deste ano após a ocasião de um concerto de beneficência (Waveaid) às vítimas do Tsunami asiático que se realizou em Sydney, no final de Janeiro:

Waveaid was an amazing experience and it was really the catalyst that made us all want to start making music together again” diz Daniel Johns à revista Rolling Stone. “We’re totally enjoying playing together at the moment.The group is currently working up lots of new material, which has been written over the last two years. ”We’re looking forward to eventually doing some gigs to try out the new songs and to then hopefully start making a new album around May.

Aqui estava o anúncio que todos os fãs queriam ouvir pelas palavras do genial embora algo polémico vocalista e núcleo de inspiração da banda australiana de "Freak Show". O que não parecia ser possível hás uns tempos atrás tornou-se assim realidade. Confesso que pessoalmente nunca esperei este regresso surpreendente de uma banda que produziu seguramente um dos álbuns de top10 da minha vida... Falo do magnífico intemporal “Diorama”, sem qualquer hesitação ou constrangimento elitista.

O quinto album dos Silverchair promete sair já no final deste ano (pelo menos no continente australiano) com um single precedente com saída prevista já nos próximos meses. A banda completou recentemente gravações de demos em Sydney disponibilizando os vídeos no site oficial. O disco, ainda sem nome, está nos passos finais de gravação e a banda encontra-se actualmente com uma orquestra em Praga gravando alguns fragmentos sinfónicos de 3 temas antes de regressar definitivamente a Los Angeles para as misturas finais. Cinco canções já têm um nome provável: “The Man That Knew Too Much”, “Sleep All Day”, “Straight Lines”, “Mind Reader” e “If You Keep Losing Sleep”.
Assim, e enquanto não sai o altamente aguardado quinto album de estúdio da banda de Newcastle aqui vos deixo uma pequena recordação do primeiro projecto (ainda em fase amadora) de Daniel Johns e Paul Mac (actualmente “The Dissociatives”) “ I Can’t Believe It’s Not Rock” com o tema bem conveniente “Rain”.



It’s been raining fire
Far too long
Led

A pianista


Acerca da polémica em torno desta notícia o sempre desenvolto Eduardo Prado Coelho escreve no Público de ontem (31-07-06) o seguinte:

“É claro que houve de imediato reacções sobre a miséria destes governantes e a incompetência reinante neste país em que ninguém tem uma política cultural. Talvez a política cultural exista pouco. Mas a demagogia irrompe com a naturalidade do costume, e uma leitura superficial do acontecimento conduzirá forçosamente a ela. O quê? São tão desastrados que deixam partir uma das nossas maiores artistas, uma efectiva glória internacional? Ora por uma vez os governantes não têm culpa. São vítimas do que deverá ser considerado uma verdadeira chantagem : eu sou uma grande vedeta, não preciso de ter uma contabilidade, não preciso de apresentar papéis das minhas despesas, nem muito menos justificá-las. A verdade é que o Ministério da Cultura, quer o Ministério da Educação, quer a autarquia de Castelo Branco e mesmo outras entidades, deram rios de dinheiro para Belgais, alimentando a família, familiares actuais e ex-familiares. A sua concepção de gestão era nula. Percebe-se qual era a sua ideia: uma espécie de comunidade rural, uma regresso à terra, com crianças e pianos, e Maria João Pires em cima de um tractor. Uma espécie de utopia sem dinheiro, sem uma gestão económica minimamente programada e sem papéis organizados, sem um simples “deve e haver”, que parecia desconhecido da pianista. Tudo baseado na ideia de que “ eu sou uma grande artista internacional, não tenho que prestar contas a ninguém, tudo me é devido portanto”.

(...) Maria João Pires foi de uma enorme leviandade, que se prolonga quando vem falar nessa coisa espantosa que é a tortura física que desde sempre sofreu. Como disse, há aqui uma verdadeira chantagem face ao trabalho notável de outros criadores, face aos nossos governantes, e aos portugueses em geral. Portugal merecia mais.”


Afixe-se em local bem visível.

Led

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Compasso

Olho deslumbrado lá em baixo a cidade já suspensa da noite, do irreal das suas luzes e aqui me fico também longo tempo também a anoitecer. O vento que cresce. O seu augúrio. Ouço-o na memória longínqua de mim...
Led

O que se vai absorvendo...


...com um prazer imenso.

Led

quinta-feira, 27 de julho de 2006

YYY

Parece que eu e o Alex vamos ver isto sem pagar um tusto:

Já me podem insultar que eu não me importo nadinha.

Led

Jornalismo de causas


"José Rodrigues dos Santos no telejornal da RTP1 das 20 horas disse as primeiras coisas sensatas aí ditas há muito tempo. São sensatas, evidentes e conhecidas de há muito, mas parecem blasfémias ditas nos noticiários mais anti-americanos e israelitas da televisão portuguesa. Disse que muitos libaneses sentem que o seu país está a ser violado por sírios e iranianos para o usarem para uma guerra estrangeira ao Líbano. Disse que era preciso cuidado com a utilização do termo "civis" porque o Hezbollah era só constituído por civis e que usava casas civis de famílias civis para esconder o armamento. Não é novidade nenhuma e não precisava de ir ao Líbano para nos dizer isto, mas no meio da contínua manipulação das palavras que constitui o grosso das notícias sobre o conflito foi um oásis, mais para o lado do jornalismo do que do "jornalismo de causas"."
Led

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Home is Where The Love Is


Andrew: You know that point in your life when you realize that the house that you grew up in isn't really your home anymore? All of the sudden even though you have some place where you can put your stuff that idea of home is gone.

Sam: I still feel at home in my house.
Andrew : You'll see when you move out it just sort of happens one day one day and it's just gone. And you can never get it back. It's like you get homesick for a place that doesn't exist. I mean it's like this rite of passage, you know. You won't have this feeling again until you create a new idea of home for yourself, you know, for you kids, for the family you start, it's like a cycle or something. I miss the idea of it. Maybe that's all family really is. A group of people who miss the same imaginary place...”
Led

The Killers - When You Were Young


Já roda por aí o novo tema dos The Killers, que conta sair como single no dia 18 de Setembro para o segundo album da banda baptizado de Sam’s Town. A canção chama-se “When You Were Young” e é o primeiro baluarte de um album que a banda afirma ser de cariz mais “clássico e americano” recolhendo influências desde Talking Heads, passando por Bruce Springsteen e até Tom Petty. (É nesta parte que me apetece sorrir um bocadinho de ingenuidade inofensiva...é mesmo infinita a ambição retórica de um homem...)
Sam's Town estará disponível em Outubro, a escolha desta data talvez se prenda com uma tentativa de quebrar o "estigma" de música de Verão e assumir a classicidade em músicas mais melancólicas e outonais.
Esta é a lista ordenada de canções que consistirão o novo album:
Sam’s Town
Enterlude
When You Were Young
Bling (Confession of a King)
For Reasons Unknown
Read My Mind
Uncle Jonny
Bones
My List
This River Is Wild
Why Do I Keep Counting?
Exitlude

Continuando, a Island Records, editora discográfica dos The Killers , já disponibilizou on-line o novo tema mas eu decidi colocá-lo aqui em rodagem para gáudio dos fãs e apreciação dos imperiosos críticos musicais deste blog. ;)


Eu enalteceria de imediato qualquer tema novo da banda que rompesse com o seu aprisionamento new-wave (porque é saudável mudar)...Infelizmente, e após o tom vivaço e expectativas altíssimas impostas pelo vocalista ( que publicitou este album como um dos melhores dos últimos anos), este tema deixa-me muito a desejar....esperemos que tenha sido apenas uma má escolha de single de abertura!

Higher now than ever before
I know we can make it if we take it slow
Let's take it easy
Easy now, watch it go

Exactamente Brandon, com calminha pá!

Led

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

Aqui está uma notícia interessante sobre o herói-poeta da democracia e da velha-guarda ideológica socialista.

Que terá o notável Movimento de Intervenção e Cidadania a dizer sobre o caso?

Led

terça-feira, 25 de julho de 2006

Notas soltas...


"Em Portugal, como provavelmente noutros sítios, o ódio a Israel tem muitas causas. O ódio ao povo perde-se na noite dos tempos. O ódio ao Estado começou há 60 anos. Há nisto muito de ignorância e futilidade. Mas nem toda a gente é ignorante ou anti-semita. Argumentar com a soi disant “desproporcionalidade” não deixa de ser uma infantilidade. Insistir nessa tecla é uma forma naïf de dizer o indizível. Podiam assumir de uma vez por todas o anti-semitismo larvar."
"Ao contrário de Pedro Lomba, não nutro nenhuma simpatia especial por Israel, não sendo propriamente de "esquerda" ou "amigo" de bandidagem política. Isto é, respeito o estado e a nação judaicas e o seu direito óbvio à existência, mas não nutro nenhum tipo de temor reverencial ou "ternura" pela "causa". Têm, eles e os palestinianos, o mesmo direito à terra, a uma terra. Neste contexto difuso, o melhor de Mário Soares veio, de novo ao de cima, com uma entrevista dada a um jornal espanhol. Ao fazer o que está a fazer - invadir e destruir uma nação independente e tudo o que apanha pela frente em nome do seu doentio niilismo umbiguista - Israel limita-se a acicatar o que os seus inimigos mais gostam, o puro terror e a pura destruição."
"A causa de Israel é existir. Nas fronteiras actuais. Nas fronteiras da independência. Ou em outras que resultem de conversações sérias, com interlocutores que respeitem o direito de Israel à existência.Por motivos que me escapam, “o insuspeito Vital Moreira”, quase todos os meus familiares e amigos, com destaque para a minha Mãe, acham que Israel é um país beligerante, expansionista, que sonha com as fronteiras bíblicas e não perde uma oportunidade em agredir as populações vizinhas. Eu tenho dúvidas. Como Israel é uma democracia, conheço quem tenha esse programa político em Israel. Muitos desses nem combatem, porque as suas crenças religiosas recusam o serviço militar. Mas em Israel existem várias formações políticas com posições muito diferentes relativamente à guerra e à negociação. E, ao contrário da Síria e da Jordânia, ao contrário do Líbano, os israelitas de esquerda, os pacifistas, não costumam ser assassinados."
"Sejam quais forem os erros cometidos por Israel, os argumentos e as razões invocadas de parte a parte, a origem da conflitualidade do Médio Oriente foi e é, desde sempre, esta. Na sua cavalar boçalidade, Mahmud Ahmadinejad acaba por dizer em voz alta o que os outros líderes regionais pensam em voz baixa. O resto é conversa."
"Destruir o terrorismo e os seus sequazes não pode ser um pretexto cego para matar indiscriminadamente pessoas que não têm nada a ver com isso e para fazer uma nação regressar a um patamar pouco mais do que primitivo. Eu, no meu desprezo geral pelo mundo, ainda consigo pensar em israelitas e em libaneses como homens, como individualidades que a minha formação obriga a proteger da crueldade. E quando se trata disso, não se podem aplicar critérios matemáticos. Ter sido ao longo da história vítima da crueldade, não desculpa "mais" crueldade. Nenhuma vida humana é uma proporção."
"A Somália e a Etiópia estão, uma vez mais, muito próximo de entrar em guerra. Sobre isto o Bloco de Esquerda nada teve até ao momento para dizer. A explicação é muito simples: o potencial conflito não é mediático, não envolve os EUA e/ou a UE, nem existe a possibilidade de Portugal participar numa intervenção internacional. Logo, a potencial destruição de infra-estruturas e a morte de inocentes não justifica a indignação selectiva do BE. Ponto. O Bloco só se preocupará com este conflito se as condições acima referidas se alterarem: se a coisa passar a ser mediática, se envolver os EUA e/ou a UE, ou se existir a possibilidade de Portugal participar numa intervenção internacional.Caso o conflito se circunscreva apenas a um massacre entre etíopes e somalis, sem interferências externas -- dos EUA e da UE, claro... -- não há problema..."
Led

domingo, 23 de julho de 2006

tick - tock - tick - tock - tick - tock

I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen,
I seem to lose the power of speech,
Your slipping slowly from my reach.
You grow me like an evergreen,
You never see the lonely me at all

Led

sábado, 22 de julho de 2006

A pergunta certa


A tragédia em horário nobre mais uma vez...e a pergunta surge novamente e primariamente na postulação em si - O que escrever? Porquê fazê-lo?...
Espero não ser o único a ter dificuldades em comentar o que se passa em Israel, no Líbano e na Palestina. Escolher um dos pólos do(s) conflito(s) , de uma forma aberta, parece-me altamente inconsciente e apenas um exercício de comodismo e arrastamento ideológico e levar apenas a uma raiva alucinada de parte a parte.
Procurar as raízes e as causas de quem começou seja o que for parece-me leviano e pueril. Fazer grandes ensaios descritivos sobre o encadeamento dos factos e os contextos específicos desta “nova” contenda parece-me uma forma airosa de escapar ao verdadeiro sobressalto, ao imediato de uma guerra de sangue e dor humana. O que explica decerto não que a isso queiramos deliberadamente ser indiferentes mas que vivemos num pânico já assumido, quase assim naturalizado, e um acontecimento qualquer, positivo ou negativo, não se destaca em particular.
Bradar pela paz, exclusivamente, e logo a seguir voltar a página do jornal de regresso à ilusão suficiente de uma existência com sentido, parece-me uma forma juvenil de exoneração da preocupação, se a houver para caber na rotina. Não sei mais o que dizer, o que pensar...
O tema aquece na opinião pública e escrever seja o que for sobre o assunto e sobre a autoridade histórica e política e territorial e religiosa de seja quem for para espoletar as nossas dissertações extemporâneas e eruditas sobre como seria num mundo perigosamente perfeito e utopicamente pacifico é como caminhar sobre um campo de minas. Refugiam-se, as pessoas que sentem o mesmo, na atestação dum princípio: nada começará sequer a resolver-se enquanto não houver um estado palestiniano de pleno direito ao lado dum estado de Israel seguro. Depois vêm os consensos chavões: o fundamentalismo islâmico, o terrorismo de redes, o imperialismo de estado, a bastardia das ditaduras muçulmanas na região, o domínio da fissão nuclear, o abuso do poder da política externa israelita, a legítima defesa desde não sei quando...
Mas não há sínteses felizes para definir a política da guerra. Baralhados os números e a nacionalidade das vítimas, subtraindo, aumentando, multiplicando regressamos sempre à mesma impotência. Será para ultrapassá-la que tanta gente avança tolamente para a tomada de posições, para o apoio a um "lado" ou outro, para o aproveitamento da tragédia para esgrimir as guerrilhas ideológicas domésticas cheias de atrevimento e ruptura? Que extraordinária coisa este desaforo com que se quer ser moderno e interventivo. A quantidade enorme de gente que é virtuosa ou que vive à custa do pecado alheio... Seria útil aprender pelo menos, que a primeira coisa que a guerra nos deve provocar é consternação infinita. Que ela se manifesta na insuficiência. E agora? Que fazemos? Que exigimos? Qual o significado disto tudo e de a minha individualidade entremeada neste mundo imenso?
Por enquanto a descrença total de tudo e um riso ósseo de caveira que sobre isso tudo ele abre....
Led

Friday's dust

Friday's dust
Turned into a saturday's
It wasn't meant to be this way
It wasn't meant to end so late

Friday's trust
A deal not brokered honestly
Perhaps it's just a game they played
Tell me they've not flown away

All the hope
And all the wonder
All the strength that they can muster
Won't go

They won't get me down
Their desire
It seems they've got designs on me
They never want me honestly
They try to take me foolishly

All the toys and creature comforts
All the dreams they can rupture
Won't go

Friday's dust
Takes all the love we own
...

Led